“Não podemos ir de maneira unilateral para esses referendos”, disse à agência Efe o líder dos deputados do governamental MAS, César Navarro.
Por isso, explicou que a elaboração das novas leis de convocação para essas consultas está “paralisada” no Congresso, esperando pela concretização de um “acordo político” entre Morales e seus opositores, liderados pelos governadores de várias províncias.
A Bolívia vive uma crise política na qual concorrem dois processos paralelos que, por enquanto, parecem irreconciliáveis: a reformulação constitucional proposta por Morales e o projeto autonomista de várias regiões opositoras lideradas por Santa Cruz, a mais rica e povoada do país.
Em 28 de fevereiro, centenas de seguidores de Morales cercaram o Congresso e bloquearam o acesso de vários legisladores conservadores ao edifício, permitindo que os governistas aprovassem duas polêmicas leis que fixavam 4 de maio como a data para a realização dos dois referendos constitucionais.
No início de março, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) suspendeu a organização dessas consultas, com o argumento de que não havia condições necessárias para a realização nessa data.
Por essa razão, a CNE reivindicou ao Legislativo uma nova lei de convocação “inquestionável” que fixe um prazo mínimo de 90 dias para que os referendos ocorram.
A CNE também declarou ilegal a consulta sobre o estatuto autônomo de Santa Cruz, que, mesmo assim, será realizada por autoridades e líderes cívicos no dia 4 de maio.
Segundo Navarro, os governadores dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando – os três últimos com referendos autonomistas programados para junho – “serão obrigados, o mais rápido o possível, a se sentar para negociar (com o Governo)”.
“Se querem que a autonomia seja legal, necessitam que a nova Constituição entre em vigor”, lembrou Navarro.
Apesar de o Governo declarar que não vai frear a consulta em Santa Cruz, tachada de “ilegal”, Morales indicou na sexta-feira que em 4 de maio haverá manifestações simultâneas em várias cidades do país em rejeição ao referendo autonomista.
Além disso, está prevista para hoje a reunião de vários movimentos sociais leais a Morales em Santa Cruz para definir medidas para frear a consulta.
A crise boliviana despertou a preocupação da Igreja Católica, cujas tentativas para reunir as partes em conflito não surtiram, até agora, nenhum efeito.
A União Européia, a Comunidade Andina (CAN), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e os Governos de Brasil, Argentina e Colômbia também se pronunciaram sobre a necessidade de abrir, o mais rápido possível, uma mesa para diálogo.