Após mais de um mês de especulações, o porta-voz do PPP, Farhatullah Babar, assegurou à imprensa em Islamabad, em um breve discurso, que os partidos democráticos em coalizão concluíram as consultas e que o eleito de “consenso” é Gillani.
“É uma honra designar Gillani em nome de Benazir Bhutto para que aceite a difícil responsabilidade de dirigir o Governo de coalizão e dirigir a nação a um futuro glorioso”, proclamou em comunicado o líder o partido, Asif Alí Zardari.
Segundo o PPP, para tomar a decisão se consultou o filho de Zardari e Bhutto, Bilawal, que chegou há três dias ao Paquistão para fazer o anúncio oficial da candidatura, algo que por fim não aconteceu.
O Parlamento paquistanês votará na segunda-feira entre Gillani e o candidato da oposição, Chaudhry Pervaiz Elahi, deputado da Liga Muçulmana-Q (PML-Q) que dá apoio ao presidente Pervez Musharraf.
Os deputados do PPP, a Liga Muçulmana-N (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif e o Partido Nacionalista Awami, que representam quase dois terços dos deputados da câmara, devem votar a favor de Gillani e torná-lo assim o primeiro-ministro, em virtude de seu acordo de coalizão.
O primeiro-ministro tomará posse em uma nova sessão parlamentar, que será conduzida por Musharraf, na próxima terça-feira 25.
Gillani, que obteve sua primeira cadeira sob a ditadura do general Zia-ul-Haq, é um líder veterano que começou sua carreira política na Liga Muçulmana (PML), em 1978, ingressando anos mais tarde no PPP.
Pertence a uma família religiosa da localidade punjabi de Multán e foi presidente do Parlamento durante o último Governo de Bhutto (1993-1997), além de ministro do Trabalho e Ferrovias como deputado independente (1985).
Com sua nomeação, finalmente se impôs o nome de um candidato indicado pelo PPP, que em um primeiro momento parecia ter como favorito o vice-presidente da formação, Amin Fahim.
Embora Fahim tenha dado os parabéns a Gillani por sua nomeação, o vice-presidente do PPP se queixou pouco antes que sua formação não tenha o consultado para a designação do candidato.
Na semana passada, Fahim chegou a afirmar que se sentiu “insultado” pelo processo de escolha do candidato a primeiro-ministro no seio do partido.
Alguns líderes do PPP sugeriram nas últimas semanas que o partido poderia optar por um candidato que aceitasse que em poucos meses o viúvo de Bhutto lhe substituísse à frente do Executivo.
Zardari não tem cadeira parlamentar por enquanto e espera-se que ele se apresente às denominadas “by-elections”, tipo de eleição em que um deputado abandona seu cargo permitindo assim que se realizem novas eleições naquela circunscrição.
Seria então quando Zardari poderia chegar ao cargo de primeiro-ministro, um caminho já sem obstáculos legais, tendo em vista que no dia 14 de março o Tribunal de Contas de Rawalpindi o absolveu dos últimos casos de corrupção que ainda pesavam sobre ele.