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Mundo

Parlamento turco autoriza ação militar no Iraque

Arquivo Geral

17/10/2007 0h00

O parlamento da Turquia autorizou, cheapest nesta quarta-feira, web o governo a lançar uma incursão militar contra as bases dos guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque.

Dos 550 deputados do Parlamento turco, 526 votaram, com 507 a favor e apenas 19 contra.

A permissão é válida por um ano e contempla o envio de tropas quantas vezes for considerado necessário, a fim de eliminar as bases do grupo rebelde na zona controlada pelo governo regional curdo do Iraque. Atualmente, o exército turco tem mais de 100 mil soldados posicionados na fronteira com o Iraque.


O governo do islamita Recep Tayyip Erdogan se viu obrigado a dar este passo por causa das baixas militares sofridas nas últimas duas semanas, quando 30 soldados turcos morreram em diferentes ataques do PKK.

“Estamos num momento em que nossa paciência se esgotou. Mas este é um grande país, e é neste momento que devemos encontrar o caminho correto com paciência”, disse o porta-voz do governo, Cemil Çiçek, após a votação.

Assim como o próprio Erdogan quis deixar claro na terça-feira, Çiçek repetiu hoje que o objetivo de uma eventual operação militar no norte do Iraque será apenas o combate ao PKK, ao mesmo tempo em que criticou os aliados ocidentais da Turquia por não darem mais apoio à luta do país contra o terrorismo.

“Eles classificam o PKK como uma organização terrorista, mas até hoje nunca nos entregaram nenhum dos terroristas que pedimos”, disse o porta-voz, antes de dizer que seu governo lutará contra o terrorismo tendo a lei a seu lado.

Pouco antes da votação, Erdogan recebeu uma ligação do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que garantiu ter dito à administração curda no norte do Iraque para não tolerar as atividades do PKK contra a Turquia. Segundo a agência “Anadolu”, Maliki disse que enviará uma delegação de alto escalão a Ancara, capital turca, nos próximos dias e que Erdogan pediu a ele passos concretos contra o PKK.


Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou hoje acreditar que uma incursão do Exército turco no Iraque vai contra os interesses da Turquia. Bush afirmou que os EUA alertaram a Turquia de que “não interessa a eles enviar tropas ao Iraque, porque já existem soldados lá”.

Enquanto isso, os porta-vozes dos grupos opositores Partido Republicano do Povo (CHP) e Partido da Ação Nacionalista (MHP) criticaram o governo por não ter solicitado antes esta permissão, e pediram ao Executivo de Erdogan que “não hesite” em usar a autorização militar.

Tanto o CHP como o MHP lamentaram que a autorização inclua somente ações contra o PKK, e não contra a administração curdo-iraquiana que, segundo ambos os grupos, dá proteção aos rebeldes curdos.

O vice-presidente iraquiano, Tariq al-Hashimi, deixou Ancara hoje convencido de que o Governo turco irá cooperar com Bagdá para resolver o problema da presença de membros do PKK no norte do Iraque.”Consegui o que queria de Ancara. Há uma nova atmosfera para por um fim à crise existente”, afirmou Hashimi aos jornalistas antes de deixar a Turquia.

Já o presidente sírio, Bashar al-Assad, declarou hoje em Ancara seu apoio a uma operação militar contra o PKK. Assad assegurou que tanto Turquia como Síria são países que sempre apoiaram a paz, mas que Damasco respaldará qualquer decisão de Ancara em sua luta contra o terrorismo.

Mais de um milhão de curdos vivem na Síria e, assim como Ancara, Damasco rejeita qualquer tentativa de estabelecer um Estado independente curdo no norte do Iraque.

Trinta soldados turcos morreram nas últimas duas semanas em ataques do PKK, um grupo armado que iniciou sua luta contra o Exército turco em 1984 para reivindicar mais direitos para os 12 milhões de curdos que vivem na Turquia.Desde então, mais de 35 mil pessoas morreram nesta guerra não declarada.

A Turquia realizou várias operações além das fronteiras nos últimos 15 anos, em 1992, 1995 e 1997, sendo a última uma operação em grande escala que levou 50 mil soldados do Exército turco ao norte do Iraque.

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