O desencontro entre o Parlamento romeno e o presidente do país, Traian Basescu, ficou hoje latente depois de o Legislativo aprovar uma declaração de apoio à candidatura a primeiro-ministro do prefeito independente de Sibiu, Klaus Johannis, que o chefe do Estado já havia rejeitado.
Johannis é o candidato dos partidos da oposição para substituir o atual primeiro-ministro interino, Emil Boc – derrubado na semana passada por uma moção de censura -, enquanto Basescu designou o economista independente Lucian Croitoru como chefe de Governo.
O texto de apoio ao candidato alternativo foi aprovado por 252 votos a favor e apenas 2 contra, com a ausência na câmara do Partido Democrático Liberal (PDL) de Boc, próximo ao presidente.
Com esta iniciativa, o Partido Social Democrata (PSD), o Partido Nacional Liberal (PNL) e da minoria da União Democrata dos Húngaros da Romênia (UDMR) deixaram claro que a maioria parlamentar respalda Johannis como primeiro-ministro.
Croitoru tem até final desta semana para formar equipe de Governo e obter o respaldo majoritário do legislativo, no entanto, só conta com o apoio do PDL.
Social-democratas e liberais anunciaram que não aceitarão outro candidato que não Johannis. Por isso, o chefe do Estado cogitou designar um primeiro-ministro proposto pelo PDL – a formação com mais cadeiras e a única que apoia Basescu – se Croitoru for rejeitado.
Um candidato deste partido dificilmente seria aceito pela oposição. Diante dessa realidade, o presidente contemplou a possibilidade de convocar eleições antecipadas após as presidenciais de 22 de novembro.
A crise política na Romênia começou com a queda na semana passada do gabinete de Boc, após dez meses no poder.
A moção apresentada pelo PNL e o UDMR foi respaldada pelos social-democratas, que abandonaram a grande coalizão governamental no início de outubro por divergências com os membros majoritários do PDL.