O Parlamento de Honduras acordou hoje analisar uma anistia para os envolvidos na crise política do país, surgida após a derrubada do presidente Manuel Zelaya, caso seja realmente aprovada nas negociações conduzidas pelo líder costarriquenho Oscar Arias.
O Congresso aprovou o relatório de uma comissão que recomendou a análise da anistia unicamente por crimes políticos, com a condição de se assim ficar acordado no diálogo que está sob mediação de Arias.
“Unicamente estamos expressando que temos boa vontade de discutir”, explicou à imprensa o chefe da bancada opositora e membro da já mencionada comissão especial, Rodolfo Irias.
“Não estamos aceitando ou rejeitando a anistia”, mas expressando que o Congresso “estaria disposto a conhecer” a eventual proposta, disse Irias.
O relatório da comissão foi aprovado praticamente por unanimidade pelo Parlamento, de 128 cadeiras, exceto pela abstenção de uma deputada de esquerda.
O relatório da comissão responde a uma consulta que o novo presidente hondurenho, Roberto Micheletti, fez ao Congresso Nacional sobre a proposta do chamado Acordo de San José, apresentada por Arias no último dia 22 na capital costarriquenha.
A proposta inclui 11 pontos, o principal dos quais é o retorno condicionado ao poder de Zelaya, o que o Governo Micheletti rejeita.
Micheletti, no entanto, submeteu a proposta a consultas em outros órgãos do Estado a que competem outros pontos, como a anistia política e a antecipação das eleições de novembro próximo, que já foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Eleitoral.
Já Zelaya descartou totalmente a proposta de Arias e deu por fracassado o diálogo.