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Parlamento do Irã pede que Governo que reduza cooperação com AIEA

Arquivo Geral

29/11/2009 0h00

O Parlamento iraniano pediu hoje ao Governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad que reduza rapidamente o nível de cooperação nuclear com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e não interrompa, sob nenhum conceito, o desenvolvimento do programa nuclear.

Em carta lida por um dos deputados, a Câmara pediu ao Executivo que prepare um plano e o apresente à Assembleia em breve, informou a agência de notícias iraniana “Isna”.

“Pedimos ao Governo que, levando em conta a postura bélica do 5+1 (grupo de países negociadores), prepare rapidamente um projeto para reduzir o nível da cooperação com a AIEA e o entregue à comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento”, afirmava a carta, assinada por 226 deputados.

“Os deputados estão convencidos de que a vontade política de algumas grandes potências, precisamente Estados Unidos e Reino Unido, forçaram este desvio no caminho”, acrescentou.

A demanda ocorre apenas 72 horas depois que o Conselho de Governadores da AIEA aprovou, pela primeira vez nos últimos três anos, uma resolução de condenação ao Irã devido à falta de cooperação e transparência em torno de seu polêmico programa nuclear.

O citado documento, impulsionado por Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha, contou com o voto favorável de 25 países, enquanto três – Venezuela, Cuba e Malásia – votaram contra e seis – Brasil, Turquia, Paquistão, Afeganistão, África do Sul e Egito – se abstiveram.

Em resposta, o regime dos aiatolás já anunciou na sexta-feira que reduziria seu nível de cooperação com a citada agência das Nações Unidas e deu a entender que buscará o urânio enriquecido de que diz precisar por outras vias.

“A resolução política, que não foi adotada de forma unânime pelo Conselho de Governadores, foi divulgada apesar de o diretor-geral da AIEA (Mohamad ElBaradei) insistir no caráter pacífico do programa nuclear iraniano”, argumentaram hoje, em sua carta, os deputados.

“O povo iraniano não tem dúvida de que, do ponto de vista jurídico, não existe desvio algum no programa nuclear da República Islâmica”, ressaltaram.

Neste sentido, os deputados insistiram em que o expediente iraniano deve “se normalizar e recuperar o caminho correta” da AIEA, e não prosseguir o “caminho errôneo” do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“(O presidente americano, Barack) Obama não só não mudou nada, mas sua linguagem está na mesma onda radical que o dos conservadores que controlavam a Casa Branca durante a Presidência de George W. Bush”, afirmaram.

“O Conselho de Governadores optou por uma política de dois pesos e duas medidas. Uma entidade profissional como esta deve evitar esse caminho, que deteriora seu prestígio e mostra à opinião pública internacional que está sob a pressão das grandes potências”, concluíram.

Durante a sessão, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, advertiu que “o Irã optará por outra conduta se o 5+1 não decidir abandonar sua ridícula política”.

“A resolução evidenciou que não queriam dialogar para chegar a uma solução, mas que buscavam a chantagem política”, acrescentou.

O grupo 5+1 – formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha – e o Irã retomaram o diálogo nuclear em 1º de outubro, em Genebra, após vários meses de interrupção.

Duas semanas depois, França, Estados Unidos e Reino Unido, ofereceram ao regime iraniano um acordo para enviar seu urânio ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido, o que aparentemente foi rejeitado por Teerã.

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