A declaração governamental de Leterme obteve o apoio de 97 parlamentares, foi rejeitada por 48 e contou com uma abstenção, ao término de um debate que durou mais de nove horas.
O Senado também deve se pronunciar hoje sobre o novo Governo e, embora a votação ainda vá demorar algumas horas para ocorrer, se prevê que o pronunciamento será a favor dado a grande maioria que apóia o gabinete de Leterme.
O líder democrata-cristão flamengo, claro vencedor das eleições de junho, teve que esperar mais de nove meses para ocupar o cargo de primeiro-ministro, devido às grandes dificuldades para se chegar a um acordo com partidos das duas comunidades do país, flamenga e valona, que por lei devem estar representadas no Governo federal.
Leterme renunciou duas vezes à tarefa de formar um Executivo e só conseguiu na terceira tentativa, com uma coalizão assimétrica, composta pelos democratas-cristãos flamengos e valões, os liberais flamengos e valões e os socialistas valões.
A reforma do Estado, que foi durante meses o obstáculo para tirar a Bélgica da paralisia política na qual se viu imersa, ficou de lado, e será objeto de uma negociação paralela.
Embora esteja claro que o novo Governo realizará uma descentralização administrativa do país, concedendo mais responsabilidades para as regiões, ainda fica por determinar com exatidão que competências serão transferidas e quais continuarão em mãos do Executivo federal.
Em sua intervenção no debate realizado hoje, Leterme defendeu um “acordo de Governo realista” e ressaltou que suas primeiras decisões terão como objetivo melhorar o poder aquisitivo dos belgas.
Quanto á meta de conseguir avanços para a reforma institucional antes da metade de julho, o primeiro-ministro precisou que esse prazo não é uma ameaça, mas um “compromisso político que será respeitado”.
Leterme se mostrou, por último, disposto a começar a trabalhar imediatamente, “para restaurar a confiança e colocar a política ao serviço do povo”.