O Sudão descreveu como "ultrajantes" os supostos casos de abuso sexual de crianças no sul do país envolvendo forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que investigará o caso por conta própria. Na quarta-feira, approved website a ONU afirmou estar investigando 13 denúncias de má conduta, story incluindo casos de abuso sexual e exploração.
No mesmo dia, o jornal britânico The Daily Telegraph disse que, no sul do país africano, as forças de paz e funcionários civis da entidade internacional estavam estuprando crianças de até 12 anos de idade e abusando sexualmente delas. A publicação afirmou ter entrevistado 20 vítimas jovens na capital do sul sudanês, Juba.
"Estamos preocupados. Isso é ultrajante", disse Ali al-Sadig, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país. "As pessoas que cometeram tais crimes devem sofrer todas as conseqüências legais previstas", acrescentou.
O porta-voz afirmou que o governo de Cartum também investigará o caso. Quaisquer funcionários ou militares da ONU julgados culpados de tais crimes seriam punidos segundo as leis da entidade e não segundo as leis do Sudão.
Mais de 11 mil policiais e soldados da ONU estão no país africano para monitorar um acordo de paz firmado entre as regiões norte e sul do Sudão, acordo esse que completa dois anos na próxima semana.
A guerra civil no território sudanês, a mais longa da África, terminou em janeiro de 2005 com o tratado de paz que abriu as portas para a instalação de um regime democrático e para a divisão de poder.
George Somerwill, porta-voz da ONU, disse que a entidade realizaria um encontro com o governo do sul do Sudão. Segundo Somerwill, a ONU encara com "grande seriedade" esse tipo de acusação.
As acusações devem dificultar ainda mais os esforços feitos pelo novo secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon, para levar forças de paz até a região de Darfur, oeste do Sudão, onde um outro conflito iniciado quatro anos atrás já matou cerca de 200 mil pessoas, segundo estimativas, e expulsou outras 2,5 milhões de suas casas.
O governo sudanês rejeitou uma resolução da ONU autorizando o envio de 22.500 integrantes de uma força de paz para a região a fim de substituir as tropas da União Africana (UA) estacionadas ali. Segundo o governo, a manobra seria equivalente a uma invasão ocidental e a uma tentativa de colonização.
Questionado sobre se as acusações de abuso sexual teriam impacto sobre a postura do governo sudanês em relação à presença de forças da ONU em Darfur, Sadig respondeu: "É exatamente por isso que estamos preocupados".