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Para ONU, perspectiva econômica global segue incerta, com desafios fiscais e tensão geopolítica

“As tensões geopolíticas e os riscos financeiros aumentam essas pressões, tornando a economia global fragilizada”, avalia a ONU

Redação Jornal de Brasília

08/01/2026 16h07

onu

Foto: Pixabay

São Paulo, 08 – As perspectivas econômicas globais permanecem incertas devido às elevadas incertezas macroeconômicas, às mudanças nas políticas comerciais e aos persistentes desafios fiscais, mostra o relatório de Situação Econômica Mundial e Perspectivas para 2026 publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quinta-feira, 8.

“As tensões geopolíticas e os riscos financeiros aumentam essas pressões, tornando a economia global fragilizada”, avalia a ONU, ao destacar que, apesar do choque tarifário em 2025, a atividade econômica global se mostrou resiliente.

A situação no ano passado, de acordo com a ONU, recebeu o apoio de embarques antecipados, acúmulo de estoques e gastos sólidos do consumidor em meio à flexibilização monetária e mercados de trabalho “amplamente estáveis”. “Espera-se que o apoio contínuo da política macroeconômica amorteça o impacto das tarifas mais altas, mas o crescimento do comércio e da atividade geral provavelmente se moderarão no curto prazo”, pondera.

A ONU menciona que o crescimento econômico global, estimado em 2,8% para 2025, deverá diminuir marginalmente para 2,7% em 2026, antes de acelerar para 2,9% em 2027, ainda abaixo do nível antes da pandemia, de 3,2%. Para Europa, Japão e Estados Unidos, a expectativa é de que o crescimento se mantenha praticamente estável, e siga “em ritmo moderado”, com o apoio monetário ou fiscal continuando a sustentar a demanda.

Grandes economias em desenvolvimento, como a China, Índia e Indonésia, devem continuar apresentando crescimento sólido, impulsionado por uma demanda interna resiliente ou por medidas políticas direcionadas. Por outro lado, a organização alerta que as perspectivas para muitos países de “baixa renda” e considerados “vulneráveis” permanecem menos favoráveis.

Inflação

No relatório, a ONU prevê uma continuidade da desaceleração da inflação global, mas alerta que persistem pressões sobre o custo de vida diante da elevação de preços.

O documento destaca que os preços elevados continuam sendo um desafio global fundamental. A inflação cheia caiu de 4% em 2024 para uma estimativa de 3,4% em 2025 e deve desacelerar para 3,1% em 2026. Para a entidade, embora a inflação geral tenha arrefecido, os preços elevados continuam a pesar sobre a renda real.

Segundo a entidade, a redução dos preços de energia e alimentos, taxas de câmbio mais estáveis e crescimento lento dos salários nominais ajudaram no arrefecimento da inflação. “Diferentemente da alta sincronizada global dos anos anteriores, as tendências inflacionárias tornaram-se desiguais, moldadas por gargalos recorrentes de oferta em meio ao aumento dos riscos geopolíticos e relacionados ao clima”, pontua.

Diante desse cenário, a ONU afirma que os líderes globais enfrentam um cenário inflacionário cada vez mais complexo, e a política monetária adotada pelos bancos centrais permanecerá como um tema central. Essas decisões devem atuar em conjunto com arcabouços fiscais críveis e medidas sociais direcionadas para proteger os grupos mais vulneráveis, acrescenta o relatório.

A organização nota que as taxas de juros seguem acima dos níveis pré-pandemia em vários países e projeta novos cortes graduais em 2026, sob risco de retomada da inflação ou de volatilidade cambial – que podem “complicar a etapa final do ciclo de desinflação”.

De acordo com o relatório, a ação coordenada entre políticas monetária, fiscal e industrial será crucial para administrar pressões persistentes sobre os preços sem comprometer a estabilidade social ou o crescimento de longo prazo.

Os preços ainda elevados continuam a corroer o poder de compra da população mais vulnerável, destaca o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. Ele aponta que a inflação mais baixa poderá proteger gastos familiares essenciais, fortalecer a concorrência nos mercados e enfrentar os fatores estruturais que impulsionam choques recorrentes de preços.

Estadão Conteúdo

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