O comissário de assuntos humanitários do Sudão, Mohammed Abdel-Rahman Hasabu disse em entrevista coletiva que o programa começou a ser organizado em abril e maio, em Paris, e toda operação contava com o apoio da coalizão Save Darfur.
De acordo com ele, meses antes de os suspeitos europeus serem detidos, “já tinham sido concedidas permissões para o avião que levaria as crianças, vistos, e diversas famílias teriam pago entre 1,5 mil e 8 mil euros para ficar com uma dessas crianças”, acrescentou.
Hasabu afirmou que das 103 crianças resgatadas – atualmente em um orfanato da cidade de Abéché – 17 são sudanesas e as outras, chadianas.
Ele disse que outras 74 crianças estão desaparecidas e que o Governo sudanês acredita que todos ou parte delas foram levadas para Europa antes da operação. Destas, 35 seriam do Sudão, segundo ele.
O comissário de assuntos humanitários chamou os membros da ONG francesa de criminosos e classificou o fato como um grave crime internacional. Ele defendeu a acusação de escravidão ao dizer que colocar preço sobre a cabeça de uma criança é escravização.
O vice-ministro sudanês de Justiça também esteve presente na entrevista coletiva organizada pela missão do Sudão na ONU, Hasabu disse que a reação da comunidade internacional e das agências da ONU foi fraca, “especialmente daquelas agências, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e Unicef, que devem proteger as crianças”.
O comissário sudanês criticou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, por ter dito que irá ao Chade novamente, caso necessário, para buscar os franceses detidos.
“O que esperamos é que visite as crianças, as vítimas, em vez de preocupar-se somente em livrá-los da Justiça chadiana”, disse.