O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou hoje em Istambul que a cooperação com o Brasil e a Turquia sobre uma troca de combustível nuclear representa um passo para uma nova ordem internacional.
Ahmadinejad afirmou em entrevista coletiva que ainda espera a resposta do chamado Grupo de Viena, formado por Estados Unidos, Rússia, França e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao acordo fechado com Brasil e Turquia no mês passado.
Pelo acordo, a República Islâmica se compromete a entregar aos turcos 1,2 toneladas de urânio enriquecido a 3,5%, para recuperar 120 quilos do material purificado a 20% no prazo de um ano.
O presidente iraniano participa em Istambul de uma conferência com países asiáticos, na qual a diplomacia turca espera uma declaração final que inclua uma condenação a Israel pelo ataque ao comboio naval com ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que deixou nove mortos e dezenas de feridos na semana passada.
“O regime sionista deveria ser condenado nesta reunião”, ressaltou Ahmadinejad, apoiando os esforços dos anfitriões do fórum regional.
Segundo ele, “depende da Rússia” ter relações amistosas com o Irã, pois o Kremlin cogita apoiar as novas sanções internacionais do Conselho de Segurança contra a República Islâmica por seu programa nuclear.
“Somos vizinhos da Rússia. Devemos ser amigos e parceiros. Isso é o que espero. Estamos prontos para dialogar em qualquer condição. Tudo depende da Rússia”, ressaltou o líder iraniano.
Pouco antes, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que as novas sanções do Conselho de Segurança contra o Irã não devem ser “excessivas”.
Ahmadinejad também criticou o Conselho de Segurança, qualificando-o de um órgão mundial injusto, no qual os membros não-permanentes são pressionados pelos EUA.
“Necessitamos novas instituições. Se os Estados Unidos e alguns de seus amigos pensam que podem continuar como durante os últimos 60 anos, estão equivocados”, afirmou Ahmadinejad.