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Mundo

Paquistão preocupado com aumento de tropas dos EUA no Afeganistão

Arquivo Geral

20/11/2009 0h00

O Governo do Paquistão expressou hoje sua preocupação com o possível aumento de tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, ao advertir sobre as “consequências negativas” que teria para um país que já combate à insurgência talibã em vários frentes.

Em reunião com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), Leon Panetta, o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Razá Guilani, expressou o temor que o incremento do contingente dos EUA gere uma invasão de insurgentes a partir do Afeganistão em direção ao Paquistão.

Guilani pediu que os EUA devem levar em consideração as “preocupações do Paquistão”, pois o aumento das tropas “poderia ter consequências negativas para a situação em Baluchistão”, província paquistanesa na fronteira com o Afeganistão.

“A nova política afegã do Governo dos EUA não deveria alterar o equilíbrio regional no Sul da Ásia”, disse o primeiro-ministro, segundo um comunicado oficial.

Os Estados Unidos estão estudando um reforço substancial (de até 40 mil soldados) em seu contingente no Afeganistão, que com 68 mil soldados sustentam a força internacional Isaf.

O Exército do Paquistão está envolvido em várias operações contra os talibãs paquistaneses, a última delas iniciada há mais de um mês no reduto insurgente do Waziristão do Sul.

A operação de grande escala no Waziristão seguiu à empreendida no vale de Swat, ao que os talibãs tinham estendido suas operações, e se somam as outras pontuais em distintas regiões tribais fronteiriças com o Afeganistão.

As ofensivas em Swat e Waziristão causaram um fluxo de centenas de milhares de refugiados.

Nas últimas 24 horas, houve combates tanto no Waziristão quanto nas vizinhas Khyber e Bajaur, nas quais 19 fundamentalistas foram mortos, de acordo com o boletim do Exército e fontes militares citadas hoje pelos meios de comunicação do país.

Enquanto, no Waziristão do Norte dois mísseis lançados por um avião não-tripulados dos EUA mataram oito pessoas, a maioria supostos insurgentes, conforme informação de uma fonte oficial a rede privada “Dawn”.

Por esta versão, o ataque, o segundo na região nos últimos dois dias, tinha como alvo grupos ligados à rede talibã que a partir do território paquistanês lançam suas operações contra as tropas estrangeiras no Afeganistão.

Porta-vozes militares asseguraram à Agência Efe que os esforços das forças de segurança paquistanesas estão dirigidos a acabar com aqueles insurgentes que atacam o Paquistão.

Os analistas acreditam que Islamabad segue mantendo relações com elementos do movimento talibã afegão diante da eventualidade da retirada das tropas internacionais do país.

O jornal americano “The Washington Times” publicou hoje um artigo no qual afirma que os serviços secretos do Paquistão (ISI, na sigla em inglês) ajudaram no mês passado, o líder talibã afegão, o mulá Omar, a transferir-se a partir da capital baluchi, Quetta, à metrópole de Karachi.

Citando três fontes de inteligência dos EUA, o jornal sugeriu que mulá Omar foi a Karachi para ficar “a salvo” dos ataques com mísseis de aviões-espiões americanos, após meses de rumores de que os EUA querem estender estas ações, frequentes na região tribal Baluchistão.

Um porta-voz do ISI, Zafar Iqbal, classificou de “infundada” a notícia da publicação americana.

“O mulá Omar não está no Paquistão, nem esteve recentemente. Nossas informações apontam que ele está em Kandahar ou próximo dali dirigindo o movimento talibã”, disse Iqbal à Efe.

Em seu encontro com o diretor da CIA, Guilani ressaltou que é “imperativo” desfazer os “mal-entendidos” e “construir confiança” entre Paquistão e os EUA.

Para Panetta convém a cooperação entre os exércitos e serviços de inteligência de ambos os países para “eliminar o terrorismo”.

As operações do Exército do Paquistão não estão conseguindo interromper à nova onda de atentados no país e que hoje causou quatro mortos em ataques com explosivos contra as forças de segurança na cidade de Peshawar e na região de Khyber, conforme fontes oficiais consultadas pela Efe.

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