O Governo do Paquistão expressou hoje sua preocupação com o possível aumento de tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, ao advertir sobre as “consequências negativas” que teria para um país que já combate à insurgência talibã em vários frentes.
Em reunião com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), Leon Panetta, o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Razá Guilani, expressou o temor que o incremento do contingente dos EUA gere uma invasão de insurgentes a partir do Afeganistão em direção ao Paquistão.
Guilani pediu que os EUA devem levar em consideração as “preocupações do Paquistão”, pois o aumento das tropas “poderia ter consequências negativas para a situação em Baluchistão”, província paquistanesa na fronteira com o Afeganistão.
“A nova política afegã do Governo dos EUA não deveria alterar o equilíbrio regional no Sul da Ásia”, disse o primeiro-ministro, segundo um comunicado oficial.
Os Estados Unidos estão estudando um reforço substancial (de até 40 mil soldados) em seu contingente no Afeganistão, que com 68 mil soldados sustentam a força internacional Isaf.
O Exército do Paquistão está envolvido em várias operações contra os talibãs paquistaneses, a última delas iniciada há mais de um mês no reduto insurgente do Waziristão do Sul.
A operação de grande escala no Waziristão seguiu à empreendida no vale de Swat, ao que os talibãs tinham estendido suas operações, e se somam as outras pontuais em distintas regiões tribais fronteiriças com o Afeganistão.
As ofensivas em Swat e Waziristão causaram um fluxo de centenas de milhares de refugiados.
Nas últimas 24 horas, houve combates tanto no Waziristão quanto nas vizinhas Khyber e Bajaur, nas quais 19 fundamentalistas foram mortos, de acordo com o boletim do Exército e fontes militares citadas hoje pelos meios de comunicação do país.
Enquanto, no Waziristão do Norte dois mísseis lançados por um avião não-tripulados dos EUA mataram oito pessoas, a maioria supostos insurgentes, conforme informação de uma fonte oficial a rede privada “Dawn”.
Por esta versão, o ataque, o segundo na região nos últimos dois dias, tinha como alvo grupos ligados à rede talibã que a partir do território paquistanês lançam suas operações contra as tropas estrangeiras no Afeganistão.
Porta-vozes militares asseguraram à Agência Efe que os esforços das forças de segurança paquistanesas estão dirigidos a acabar com aqueles insurgentes que atacam o Paquistão.
Os analistas acreditam que Islamabad segue mantendo relações com elementos do movimento talibã afegão diante da eventualidade da retirada das tropas internacionais do país.
O jornal americano “The Washington Times” publicou hoje um artigo no qual afirma que os serviços secretos do Paquistão (ISI, na sigla em inglês) ajudaram no mês passado, o líder talibã afegão, o mulá Omar, a transferir-se a partir da capital baluchi, Quetta, à metrópole de Karachi.
Citando três fontes de inteligência dos EUA, o jornal sugeriu que mulá Omar foi a Karachi para ficar “a salvo” dos ataques com mísseis de aviões-espiões americanos, após meses de rumores de que os EUA querem estender estas ações, frequentes na região tribal Baluchistão.
Um porta-voz do ISI, Zafar Iqbal, classificou de “infundada” a notícia da publicação americana.
“O mulá Omar não está no Paquistão, nem esteve recentemente. Nossas informações apontam que ele está em Kandahar ou próximo dali dirigindo o movimento talibã”, disse Iqbal à Efe.
Em seu encontro com o diretor da CIA, Guilani ressaltou que é “imperativo” desfazer os “mal-entendidos” e “construir confiança” entre Paquistão e os EUA.
Para Panetta convém a cooperação entre os exércitos e serviços de inteligência de ambos os países para “eliminar o terrorismo”.
As operações do Exército do Paquistão não estão conseguindo interromper à nova onda de atentados no país e que hoje causou quatro mortos em ataques com explosivos contra as forças de segurança na cidade de Peshawar e na região de Khyber, conforme fontes oficiais consultadas pela Efe.