Os principais partidos de oposição do Paquistão acusaram o governo de ter forçado o adiamento das eleições pela Comissão Eleitoral paquistanesa, see que negou a existência dessas pressões.
“Temos suspeitas de que tudo se deve a uma decisão do governo para ganhar tempo, side effects mas não permitiremos isso”, more about afirmou Farhatullah Babar, porta-voz do Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.
A Comissão Eleitoral se reuniu nesta quarta-feira para discutir o adiamento das eleições – que até ontem estavam previstas para 8 de janeiro -, diante da situação gerada pelo assassinato de Benazir Bhutto em 27 de dezembro e os posteriores protestos de seus simpatizantes.
Após horas de debate, a Comissão anunciou a decisão de transferir a data do pleito para reparar “deficiências”, principalmente na província de Sindh, onde vários escritórios eleitorais foram incendiados por partidários de Bhutto em protesto pelo assassinato da líder.
“Não houve nenhum tipo de pressão do governo. A decisão foi tomada pela Comissão em plenário, após examinar a realidade do país”, disse o porta-voz da Comissão Eleitoral, Kanwar Dilshad. “A nova data não diz respeito a uma decisão política, mas à realidade do país”, acrescentou.
Apesar das explicações da Comissão Eleitoral, apenas a governamental Liga Muçulmana do Paquistão-Q (PML-Q), por enquanto, deu seu apoio à organização pela decisão de adiar as eleições.
“As cédulas de votação foram destruídas em 11 distritos. Alguns de nossos candidatos foram atacados. Como podem haver eleições livres? Devemos trabalhar juntos para garantirmos que o clima esteja calmo e para que a credibilidade seja mantida”, disse o porta-voz do PML-Q, Tariq Azeem, ao canal de televisão Dawn.
A decisão de adiar as eleições não foi bem recebida pelos principais partidos da oposição, que não esconderam suas suspeitas de que o adiamento pode beneficiar o partido do presidente Pervez Musharraf.
O assassinato de Bhutto tinha criado uma onda de simpatia em relação ao PPP, que participaria do pleito com a morte de Bhutto ainda presente na memória dos eleitores. Segundo o PPP, as forças governamentais, com Musharraf à frente, criaram uma situação de insegurança apenas com o propósito de encontrar uma “justificativa” para adiar as eleições.
“Não há desculpas. A situação não era tão ruim”, disse Babar, que também pediu a substituição da atual Comissão Eleitoral por outra que tenha a aprovação de todos os partidos.
O pedido de Babar recebeu apoio do segundo maior partido de oposição, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), dirigido pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que também condenou o adiamento das eleições.
“O adiamento foi pensado para favorecer os partidos do Governo. Mas nós não queremos deixar o caminho livre para eles e vamos, a princípio, concorrer às eleições”, disse o chefe de Informação do PML-N, Ahsan Iqbal.
Iqbal se mostrou disposto a tentar chegar a um acordo com as outras forças da oposição sobre suas principais exigências: a formação de um Governo de união nacional, uma Comissão Eleitoral independente e a renúncia de Musharraf.
Tanto o PPP quanto o PML-N – que tomará sua posição definitiva no dia 7 – deram sinais nas últimas horas para iniciar conversas tendo em vista as eleições. Em um discurso televisionado à nação nesta quarta-feira, o presidente paquistanês afirmou que seu “desejo pessoal” era a manutenção das eleições no dia 8, mas disse que a decisão da Comissão foi “necessária e absolutamente correta”.
A transferência das eleições para o dia 18 de fevereiro levou os partidos a reformular suas estratégias de campanha e manterá, pelo menos por 40 dias, a incerteza sobre o futuro do Paquistão.