A equipe da ONU, liderada pelo embaixador do Chile nas Nações Unidas, Heraldo Muñoz, entrevistou várias personalidades desde o início de seu trabalho, em julho, incluindo o ex-chefe do Exército e ex-presidente Pervez Musharraf, mas quase não visitou o país, por causa dos contínuos atentados terroristas.
Segundo o alto funcionário citado pela “Dawn”, que não é identificado, a comissão enviou um pedido escrito ao Governo para entrevistar Kiyani e outros militares na ativa, assim como o ex-chefe dos serviços secretos (ISI) Nadeem Taj e outro ex-alto cargo das agências de inteligência, Nadeem Ejaz Mian.
O Executivo, após estudar o documento, decidiu se negar a isso.
“Nem confirmo nem desminto”, disse à Agência Efe o porta-voz do Exército, Athar Abbas, que acrescentou que “é um assunto sobre o qual unicamente o Ministério do Interior pode responder”.
A porta-voz da ONU Israt Rizvi disse que a comissão de investigação pediu para se reunir com personalidades de diversos âmbitos, mas disse não ter “nenhuma informação sobre o fato de que o Governo paquistanês tenha negado à ONU o acesso à cúpula militar”.
“Essa é uma resposta que apenas o Ministério do Interior pode oferecer”, disse a fonte.
Fontes deste Departamento não responderam aos telefonemas da Agência Efe.
O Partido Popular do Paquistão (PPP), que lidera o Governo, tinha insistido na necessidade desta comissão, apesar de a Scotland Yard já ter investigado a morte da ex-primeira-ministra, ocorrida em 27 de dezembro de 2007, na cidade de Rawalpindi, e determinou que ela morreu ao bater a cabeça, depois que um suicida detonou seus explosivos, a mesma conclusão da Polícia paquistanesa.
O PPP, liderado agora pelo viúvo de Bhutto, o presidente Asif Ali Zardari, afirmou naquele momento que Benazir morreu por causa de tiros disparados antes da explosão do suicida, e denunciou um suposto envolvimento do ISI.
O Governo, dirigido então por Musharraf, culpou o chefe dos talibãs paquistaneses, o já falecido Baitullah Mehsud.
A equipe da ONU tem como tarefa esclarecer “os fatos e circunstâncias” do assassinato, mas não sua autoria.