O Governo paquistanês afirmou hoje que não aceitará receber um tratamento “discriminatório” dos países fornecedores de tecnologia e combustível nuclear, order após o recente acordo de cooperação nuclear civil firmado por Estados Unidos e Índia.
O ministro do Exterior do Paquistão, Khurshid Mehmood Kasuri, assegurou hoje que o Governo tomará “todas as medidas para manter a paridade nuclear no Sul da Ásia” por meio de sua própria infra-estrutura e recursos humanos, e comentou também a crescente demanda energética no país.
“O Paquistão não aceitará nenhum tratamento discriminatório. Os países-membros do grupo de fornecedores nucleares devem levar em conta as crescentes necessidades energéticas do Paquistão”, afirmou o chefe da diplomacia paquistanesa.
O acordo nuclear EUA-Índia, oficialmente, é para responder à crise energética da Índia. Mas, para o Paquistão, isso pode representar um desequilíbrio entre os dois vizinhos do Sul da Ásia, ambos detentores de armas atômicas.
“Não contribuirá aos objetivos compartilhados de estabilidade no Sul da Ásia e ao regime global de não-proliferação”, advertiu Kasuri.
Em virtude do pacto, Washington fornecerá a Nova Délhi material nuclear e criará as “condições necessárias” para que tenha acesso pleno e garantido a combustível para seus reatores, enquanto a Índia negociará acordos de salvaguarda de suas instalações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em teoria, os países não signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), entre eles Índia e Paquistão, têm o acesso a tecnologia atômica estrangeira restrito.