O Paquistão afirmou hoje que proibirá a organização Jamaat-ud-Dawa (JuD), here se houver provas de seu envolvimento no atentado em Mumbai, como afirmou a Índia, ao reivindicar na terça-feira que a ONU inclua o grupo na lista de terroristas.
O conselheiro de segurança paquistanês, Mahmoud Ali Durrani, citado pelo canal “Geo TV”, disse que seu Governo ilegalizará o JuD e qualquer outro grupo suspeito de terrorismo.
As declarações de Durrani ocorrem depois que a Índia pediu ao Conselho de Segurança da ONU que inclua em sua “lista negra” de suspeitos vinculados ao terrorismo internacional todos os envolvidos no atentado em Mumbai, entre eles o JuD.
Nova Délhi acredita que, por trás desta organização, que financia escolas corânicas e oferece ajuda humanitária na Caxemira paquistanesa, está escondido o grupo responsável dos ataques, o Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira indiana ao Paquistão.
O LeT está proibido no Paquistão desde 2002, mas fontes diplomáticas e de segurança disseram à Agência Efe que as autoridades foram tolerantes com suas atividades.
O JuD ganhou notoriedade em 2004 por sua ajuda humanitária aos desabrigados do terremoto que atingiu a Caxemira paquistanesa.
O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, confirmou hoje a detenção durante a operação que as forças de segurança lançaram no domingo na Caxemira paquistanesa contra o comandante do LeT Zakiur Rehman Lakhwi, assim como de seu especialista em comunicações Zarar Shah, segundo o canal privado “Dawn”.
Em entrevista coletiva na localidade de Multan, Gillani se negou a comentar a situação do líder de outro grupo caxemiriano, o também proscrito Jaish-e-Mohammed, Massoud Azhar, que foi colocado sob prisão domiciliar.
“Sobre as organizações proscritas (no Paquistão), as investigações estão em andamento. Até me apresentarem conclusões, não posso fazer comentários a respeito”, disse o chefe de Governo.
“Se for determinado que algum deles está envolvido (no ataque terrorista a Mumbai), a lei seguirá seu curso”, disse, e pediu que não sejam tiradas conclusões sobre os responsáveis do ataque em Mumbai até o fim da investigação.
O Governo de Nova Délhi insiste em que as detenções no Paquistão não são suficientes e exige de Islamabad a entrega de cerca de 20 supostos terroristas envolvidos em grandes atentados na Índia, incluindo o mais recente em Mumbai.
O Executivo paquistanês ofereceu à Índia uma investigação conjunta do ataque e ressaltou que, se houver provas para processar as pessoas reivindicadas por Nova Délhi, estas serão julgadas no Paquistão.