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Mundo

Paquistão debate condições de pacote de ajuda dos EUA em meio a críticas

Arquivo Geral

08/10/2009 0h00

O Parlamento do Paquistão debate nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, um pacote bilionário de ajuda econômica ao país e que deve ser aprovado pelo Governo dos Estados Unidos, cujas condições têm gerado críticas da oposição e da cúpula militar.

O pacote, pendente de ratificação do presidente americano, Barack Obama, prevê uma ajuda para projetos civis de US$ 1,5 bilhão anuais, durante os próximos cinco anos.

Até agora, o Paquistão recebeu dos EUA fundamentalmente ajuda militar, no valor de US$ 10 bilhões, desde 2001.

“Pensamos que a legislação vai contra a do Paquistão, que é muito intrusiva. O Parlamento decidirá e proporá aos EUA algumas sugestões, que veremos se estão dispostos a aceitar”, disse hoje à Agência Efe um porta-voz do principal partido opositor, a Liga Muçulmana do Paquistão-N (LMP-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

O próprio Exército paquistanês emitiu ontem um incomum comunicado, após uma reunião da cúpula militar, no qual expressou sua “séria preocupação” sobre certos pontos do pacote que “têm um impacto na segurança nacional”, mas sem especificá-los.

A legislação americana exige que o Paquistão mantenha a luta contra os talibãs e a organização terrorista Al Qaeda, sob a ameaça de cortar a assistência militar.

Uma cláusula que pede ao Governo paquistanês que permita o acesso de supervisores dos EUA para investigarem suspeitos de terem ligações com atividades relacionadas à proliferação nuclear gerou descontentamento.

Além disso, segundo o plano, os EUA devem contribuir para que o Executivo paquistanês exerça um maior controle sobre o Exército e seus ativos financeiros.

“Há uma preocupação generalizada. A legislação foi vendida como um êxito do presidente do país, Asif Ali Zardari, em sua luta por democratizar o Paquistão, mas na realidade toda a oposição e inclusive setores da coalizão governamental têm muitas reservas”, explicou à Efe o analista paquistanês Humayun Khan.

O analista acrescentou que “com a linguagem utilizada, parece que o Paquistão não é um Estado soberano”, mas ressaltou: “Não nos enganemos, todos querem esta ajuda. É muito boa, só que algumas cláusulas podem ser renegociadas”.

Fontes parlamentares disseram hoje à Efe que ainda não foi marcada uma data final para o debate na Assembleia Nacional, mas que a previsão é que ele seja “longo” e “acalorado”.

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