Os partidos políticos do Paquistão se uniram nesta quinta-feira (29) em torno de seu Exército por meio de uma conferência nacional que rejeitou as recentes acusações dos Estados Unidos que o aparelho de segurança dá cobertura a grupos terroristas.
“A nação mostra sua total solidariedade e apoio às Forças Armadas do Paquistão. A defesa da integridade e a soberania é uma tarefa sagrada”, afirma uma declaração conjunta aprovada por unanimidade.
O texto acrescenta que “o Paquistão deve continuar promovendo estabilidade em nível regional e global” e impulsionar “um diálogo” para alcançar “a paz” na conflituosa fronteira com o Afeganistão.
Os líderes políticos paquistaneses se comprometeram, além disso, a “fortalecer as relações” com o vizinho Afeganistão, mas sublinharam que “os interesses nacionais são supremos” e “devem guiar a política do Paquistão”.
A conferência, de mais de nove horas de duração, reuniu na capital paquistanês mais de 50 líderes de partidos do país.
“As declarações americanas nos surpreenderam e não levam em conta nossos sacrifícios e sucessos na guerra contra o terror. O Paquistão não pode ser pressionado para fazer mais”, declarou o primeiro-ministro Yousuf Raza Gillani.
A reunião chegou em um momento delicado nas relações entre Paquistão e EUA, que acusou nos últimos dias o aparelho de segurança paquistanês de dar apoio a grupos terroristas que atacam às forças estrangeiras desdobradas no Afeganistão.
Washington esteve pressionando sem sucesso nos últimos anos o Paquistão para que lançasse uma operação militar nesta área tribal, na qual se concentraram grande parte dos frequentes ataques com mísseis de seus aviões não-tripulados.
A sempre difícil relação entre os dois países se agravou por causa da operação unilateral de comandos especiais americanos que, no último mês de maio, matou Osama bin Laden na cidade paquistanesa de Abbottabad.