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Mundo

Papa volta à África após polêmica sobre uso de preservativo

Arquivo Geral

16/11/2011 15h11

O papa estará entre os dias 18 e 20 de novembro na África, uma visita que o levará ao Benin e é considerada a segunda parte de sua primeira viagem, que foi marcada pela polêmica gerada por suas declarações contra o uso do preservativo para combater a Aids.

 

 

O objetivo da nova empreitada é entregar aos sacerdotes africanos o documento final do II Sínodo dos Bispos para a África, ocorrido em 2009 no Vaticano.

 

 

Em março daquele ano, Bento XVI foi pela primeira à África, esteve em Camarões e Angola, e entregou aos episcopados o “Instrumentum laboris”, documento de trabalho para a preparação do II Sínodo para a África.

 

 

Desde o início, a viagem se viu envolvida em polêmica. Bento XVI disse ainda no avião que o levava ao continente que a Aids “não é combatida só com dinheiro nem com a distribuição de preservativos, que, ao contrário, isso agrava o problema”.

 

 

Para o papa, a Aids é combatida com “a humanização da sexualidade e novas formas de conduta”.

 

 

Suas palavras, em um continente onde há 27 milhões de pessoas contaminadas pelo vírus do HIV, foram questionadas por vários países ocidentais, que destacaram que o preservativo é fundamental para prevenir a transmissão da doença.

 

 

A polêmica sobre a Aids deixou em segundo plano suas duras denúncias sobre a situação na África. Para ele, a região está “em perigo” devido ao fato de pessoas “sem escrúpulos tentarem impor o reino do dinheiro, desprezando os mais pobres”.

 

 

O documento preparatório do Sínodo, entregue aos sacerdotes em Yaoundé, capital de Camarões, seguia a mesma linha. No texto, inclusive, o papa chegou a denunciar as multinacionais por invadirem gradualmente o continente africano para se apropriar dos recursos naturais com a cumplicidade dos dirigentes locais, que impedem a democratização de seus países.

 

 

Em Luanda, Angola, o papa declarou que chegou o tempo da esperança para a África, mas que para isso era necessário acabar com a corrupção e os países ricos respeitarem a promessa de destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para ajudar o desenvolvimento.

 

 

O II Sínodo para a África ocorreu no Vaticano em outubro de 2009 com a participação de 244 bispos, que divulgaram, ao final, uma mensagem reafirmando que a Aids deve ser combatida com a castidade e a fidelidade, e não com preservativos.

 

 

Os sacerdotes denunciaram o fanatismo religioso que está sendo propagado no mundo todo e defenderam o diálogo e o respeito recíproco com outras religiões. Pediram ainda às multinacionais que cessem a “devastação criminosa do meio ambiente” em benefício próprio. Por último, eles afirmaram que promover guerras “para obter lucros rápidos do caos, ao preço de vidas e sangue”, é uma “política míope”.

 

 

Os religiosos fizeram 57 propostas ao papa para que ele preparasse com as mesmas o documento final, que será entregue agora em Benin.

 

 

Nas propostas, os líderes católicos apelaram para o fim das guerras e reivindicaram tratamentos médicos com a mesma qualidade existente na Europa para os doentes de Aids africanos.

 

 

Os sacerdotes defenderam a ajuda aos casais contaminados pelo vírus da Aids “para que tomem as medidas justas, com plena responsabilidade para o bem-estar recíproco, a união e a família”.

 

 

Nessa frase, observadores do Vaticano viram uma pequena abertura da Igreja africana para o uso do preservativo entre casais em que um dos cônjuges tenha o vírus e se recuse a deixar de manter relações sexuais.

 

 

Bento XVI terminou o sínodo com uma missa solene na qual fez um apelo à reconciliação da África e exigiu uma mudança do modelo de “desenvolvimento global”, para que “todos os povos sejam incluídos e não apenas os mais preparados”.

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