Menu
Mundo

Papa lembra à ONU <i> dever </i> de intervir diante de crises e violações

Arquivo Geral

18/04/2008 0h00

O papa Bento XVI afirmou hoje que a ONU tem o “dever” de intervir para proteger a população diante de crises humanitárias e violações de direitos, web quando os próprios Estados não tomam essa atitude.

Em seu discurso diante do plenário da Assembléia Geral das Nações Unidas, com presença de seus 192 países-membros, Bento XVI lembrou que “o dever primário” de todo Estado é o “de proteger a própria população” de qualquer tipo de violação de direitos humanos ou crises humanitárias.

“Se os Estados não são capazes de garantir esta proteção”, a comunidade internacional “deve intervir com os meios previstos pela Carta das Nações Unidas e por outros instrumentos internacionais”, disse.

O pontífice disse que a intervenção da comunidade internacional “não tem por que ser interpretada como uma imposição e uma limitação da soberania”. Afirmou que, pelo contrário, “a indiferença ou a falta de intervenção é o que causa um dano real”.

No entanto, o Pontífice lembrou aos membros das Nações Unidas a necessidade de esgotar todas as vias diplomáticas para resolver a crise. “O que é preciso é uma busca mais profunda da imprensa para prevenir e controlar os conflitos, explorando qualquer via diplomática possível e prestando atenção e estímulo também aos mais tênues sinais de diálogo ou desejo de reconciliação”, acrescentou.

O papa disse a seus interlocutores que é o princípio “da responsabilidade de proteger” no qual as Nações Unidas têm que se basear.

Bento XVI afirmou que uma visão através da religião pode “levar ao compromisso de resistir à violência, ao terrorismo e à guerra, e a promover a justiça e a paz”.

Por isso, chamou as Nações Unidas a apoiar a troca inter-religiosa, “do mesmo modo que o fazem com o diálogo em outros campos da atividade humana”.

Segundo Joseph Ratzinger, as Nações Unidas podem contar com os resultados do diálogo entre as religiões para usá-los “a serviço do bem comum”.

O objetivo deste diálogo é “propor uma visão da fé, não em termos de intolerância, discriminação e conflito, mas de total respeito da verdade, da coexistência, dos direitos e da reconciliação”, disse.

Entre os direitos fundamentais do homem, o Papa indicou que “obviamente” devem incluir o direito à liberdade religiosa.

Considerou “inconcebível que os fiéis têm que suprimir suas crenças religiosas para serem cidadãos de um país”. O Papa diise ainda “Não teria que ser necessário renegar a Deus para poder gozar dos próprios direitos”.

Bento XVI disse que os direitos associados à prática da religião precisa de proteção, principalmente em lugares onde são considerados em conflito com a confissão majoritária, em referência à situação dos cristãos em zonas como o Oriente Médio, especialmente no Iraque, já denunciada em várias ocasiões pelo papa.

Bento XVI abordou também temas como a defesa dos direitos humanos, a necessidade de solidariedade aos países mais necessitados e pediu a rejeição da pesquisa científica e tecnológica que atenta contra “o caráter sagrado da vida”

O papa também recriminou o organismo pelo fato de o consenso multilateral continuar tendo problemas “por causa de sua subordinação às decisões de alguns poucos”.

O hierarca do Catolicismo desejou a todas as nações representadas na ONU “paz e prosperidade, com a ajuda de Deus”, nos idiomas oficiais da organização (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo).


 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado