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Papa Leão XIV faz apelo pela paz na Europa ao se despedir da França

Pontífice encerra viagem à França com críticas à escalada militar, defesa do diálogo e apelo pela integração de migrantes

Redação Jornal de Brasília

28/09/2026 16h42

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Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP

O papa Leão XIV fez um apelo pela paz na Europa e advertiu, nesta segunda-feira (28), contra “a ilusão do rearmamento”, ao final de uma viagem de quatro dias à França, marcada pela presença de multidões neste país laico.

A agenda do pontífice, de 71 anos, foi carregada: em Paris, ele criticou os vieses da IA e a “oferta de morte programada” com a eutanásia. Em Lourdes, prometeu às vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja impedir novos casos.

A paz e a Europa protagonizaram a última etapa de sua viagem na cidade de Metz, em um contexto mutável entre a guerra na Ucrânia, o auge da extrema direita europeia e a imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump.

“Infelizmente, também na Europa, a guerra reapareceu nesta época (…) que a cada dia causa inúmeras vítimas civis”, afirmou o papa durante um discurso no centro de congressos Robert Schuman.

“É preciso comprometer-se com um diálogo paciente, mostrar audácia na negociação e estarmos dispostos a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz”, acrescentou Leão XIV, cujo pai desembarcou na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.

– “Mentira e engano” –

A escolha de Metz, que França e Alemanha disputaram do final do século XIX até meados do século XX, não foi um acaso. Nesta região nasceu Robert Schuman (1886-1963), um dos chamados “pais fundadores” da União Europeia e que o Vaticano pretende beatificar.

Este projeto, que nasceu dos escombros de uma Europa devastada, perdeu força nos últimos anos em consequência da crise política aberta com a chegada de migrantes, a saída do Reino Unido da UE e as divergências sobre a atitude que deve ser adotada em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.

“Hoje em dia, as relações humanas e entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras”, estimou o pontífice, pedindo que a Europa ponha fim à “espiral” de “mentira e engano”, em uma crítica velada a políticos populistas como o presidente de seu país natal, Donald Trump.

Após reafirmar seu apoio ao “direito internacional e o multilateralismo”, o papa pediu, ainda, para “integrar” os migrantes e alertou contra “a ilusão do rearmamento”, em um momento em que os países europeus aumentam seus gastos militares frente a uma Rússia cada vez mais desafiadora.

O presidente francês, Emmanuel Macron, convidou sem sucesso outros líderes da UE para o evento – apenas Luxemburgo compareceu – e pediu que não se ceda ao “retorno dos nacionalismos”, enquanto vários países importantes se preparam para eleições em 2027, com partidos de extrema direita em ascensão.

– Carta venezuelana –

A mensagem de paz do líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos chegou aos 35.000 fiéis que, segundo o Vaticano, o aclamaram nas ruas de Metz e dentro da catedral gótica da cidade. Ali, Leão XIV celebrou uma missa, seu último compromisso na França, antes de partir de avião para Roma.

“Só faz falta que os dirigentes sigam seu exemplo. Deveria ir ver Trump, Putin!”, exclamou Bernard Adam, de 70 anos, enquanto aguardava o papa passar no papamóvel.

Entre o público, Gilda Prochasson e Marucha Gilles, duas peruanas que moram na França, lembravam a passagem do pontífice como bispo pelo Peru, país ao qual ele voltará em novembro após visitar Uruguai e Argentina.

“De Chiclayo a Metz. A distância não apaga nada”, dizia o cartaz que carregavam.

Dentro da catedral, Zeneida González, integrante da organização “Con Vzla” na França, ligada à opositora venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, aproveitou a missa para entregar uma carta ao papa. Ela pediu que Leão XIV rezasse “pela paz na Venezuela” e “pela libertação dos presos políticos”, explicou à AFP.

“Solicitamos a intervenção do papa porque é de conhecimento geral que ele viveu na América Latina, que compreende muito bem a situação da Venezuela (…) e pode solicitar a intervenção para a libertação dos presos políticos”, explicou Paredes antes da missa. Segundo o balanço mais recente da ONG Foro Penal, de 18 de setembro, ainda havia 344 presos políticos no país.

Leão XIV visitou a França curioso para saber os motivos do aumento dos batismos entre jovens e adultos, apesar da redução da prática religiosa em geral, e tendo levado às ruas deste país laico mais de 1,3 milhão de fiéis, segundo o Vaticano.

A sete meses da eleição presidencial francesa, que a líder de extrema direita Marine Le Pen lidera nas pesquisas, o papa também fez um pedido à Virgem de Lourdes: “Conceda à França governantes sábios e generosos (…) Que mantenham o país em paz no concerto das nações”.

AFP

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