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Papa Leão XIV defende a paz na Europa e faz alerta contra ‘rearmamento’

O pontífice americano-peruano pronunciou em Metz, durante a última etapa de sua viagem à França, um discurso sobre a paz e a Europa

Redação Jornal de Brasília

28/09/2026 8h38

Foto: Alberto PIZZOLI / AFP

Foto: Alberto PIZZOLI / AFP

O papa Leão XIV conclamou nesta segunda-feira (28) a Europa a “sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz”, fez um alerta contra a “ilusão do rearmamento” e pediu dignidade nas relações internacionais “cada vez mais bárbaras”.

O pontífice americano-peruano pronunciou em Metz, durante a última etapa de sua viagem à França, um discurso sobre a paz e a Europa, em um cenário em transformação, entre a guerra na Ucrânia, a ascensão da extrema direita europeia e a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Infelizmente hoje, também na Europa, a guerra reapareceu: um novo ‘massacre inútil’ que a cada dia causa inúmeras vítimas civis”, disse, retomando uma expressão do papa Bento XVI.

“É necessário engajar-se em um diálogo paciente, demonstrar coragem na negociação e estar disposto a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz”, acrescentou o papa, cujo pai desembarcou na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.

A escolha de Metz, que foi disputada por França e Alemanha entre o fim do século XIX e a Segunda Guerra Mundial, não aconteceu ao acaso. Nesta região nasceu Robert Schuman (1886-1963), um dos chamados “pais fundadores” da União Europeia (UE) e que teve o processo de beatificação iniciado pelo Vaticano.

Mas o projeto europeu, que nasceu dos escombros de uma Europa devastada, perdeu força nos últimos anos em consequência da crise política aberta com a chegada de migrantes, a saída do Reino Unido e as divergências sobre a atitude que deve ser adotada em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.

“Hoje em dia, as relações humanas e entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras. Menospreza-se o valor da palavra dada; e presume-se antes a mentira e o engano”, ressaltou o pontífice, em uma crítica velada a políticos populistas como seu compatriota Trump.

“A Europa pode pôr fim a esta espiral graças ao respeito pelo outro, que soube cultivar e preservar”, destacou Leão XIV, para quem “o direito internacional e o multilateralismo são o melhor antídoto contra a vontade de dominação”.

O papa também fez um apelo por “integrar como na própria família” migrantes e refugiados. E fez um alerta contra “a ilusão do rearmamento”, no momento em que os países europeus aumentam os gastos militares diante de uma Rússia cada vez mais desafiante.

Antes do discurso do papa, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu a retomada da “coragem dos pais fundadores” e a não ceder ao “isolamento”, nem ao “retorno dos nacionalismos”, mas poucos de seus pares da União Europeia ouviram o apelo.

O gabinete da presidência francesa informou que os mandatários dos 27 países da UE e das instituições comunitárias foram convidados para o evento com o papa, mas apenas os dirigentes da vizinha Luxemburgo e a presidente da região fronteiriça alemã do Sarre, Anke Rehlinger, marcaram presença.

“Profundo, inteligente e aberto”


Leão XIV também voltará a encontrar a multidão a bordo do papamóvel e celebrará uma última missa, depois que os eventos realizados em Paris e no santuário de Nossa Senhora de Lourdes atraíram 1,3 milhão de fiéis neste país laico, segundo o Vaticano.

Em cada uma de suas aparições entre os fiéis, o sucessor de Francisco no trono de São Pedro se mostrou sorridente e cordial, oferecendo cenas que misturavam aclamações, celulares erguidos, bênçãos a bebês e bandeiras do Vaticano.

A sete meses da eleição presidencial na França, crucial para a UE, o papa também apresentou durante a viagem uma série de mensagens, como a importância de “conviver com dignidade e paz” com os migrantes ou da religião no espaço público.

Sem citar qualquer nome, as críticas visam, em parte, a favorita nas pesquisas, a ultradireitista Marine Le Pen, que propõe um programa de linha dura contra os migrantes e a proibição do uso do véu islâmico no espaço público.

“Obtenha para a França governantes sábios e generosos (…) capazes de enfrentar os desafios e determinados a servir ao bem comum. Que preservem o país em paz no concerto das nações”, pediu Leão XIV no sábado, diante da Virgem de Lourdes.

AFP

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