O papa Bento XVI chamou o Muro de Berlim hoje de “fronteira da morte” e disse que todas as ações da ditadura comunista foram “sempre imorais” e que o “partido” considerava “bom” tudo o que servia a ele, “por mais desumano que fosse”.
Bento XVI discursou após um concerto na Capela Sistina do Vaticano oferecido a ele pelo presidente da República Federal da Alemanha, Horst Kohler, por ocasião do 60º aniversário da fundação do país e do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim.
Falando em alemão, o papa lembrou os dois eventos e disse que o Muro de Berlim foi uma “fronteira da morte que durante muitos anos dividiu nossa pátria e separou homens, famílias, vizinhos e amigos pela força”.
O papa disse que muitas pessoas já se deram conta de que os fatos de 9 de novembro de 1989 (a queda do muro) eram o princípio inesperado da liberdade “após uma longa e sofrida noite de violência e opressão de um regime totalitário que levava a um niilismo, um vazio das almas”.
“Na ditadura comunista não havia ação que fosse considerada má ou imoral. O que servia aos objetivos do partido era bom, por mais desumano que pudesse ser”, disse.
Bento XVI acrescentou que a atual República Federal Alemã é a prova de que a ordem social ocidental é melhor e mais humanitária e isso é graça à sua constituição.
O papa defendeu o respeito à dignidade, ao casamento e à família como base de qualquer sociedade.