Menu
Mundo

Papa apresenta exortação sobre a Amazônia; expectativa por rejeição a padres casados

Francisco evitará um pronunciamento sobre a proposta controversa de autorizar a ordenação sacerdotal dos chamados “viri probati”

Redação Jornal de Brasília

12/02/2020 8h03

Pope Francis addresses worshipers from the window of the Apostolic palace overlooking St. Peter’s Square during the Sunday Angelus prayer on February 9, 2020 in the Vatican. (Photo by Filippo MONTEFORTE / AFP)

O papa Francisco divulgará nesta quarta-feira a exortação apostólica “Querida Amazônia”, o texto oficial de seu pontificado sobre esta região afetada pela devastação e a pobreza, que gera expectativa pela rejeição à ordenação de padres casados neste imenso território da América do Sul.

Depois de três semanas de deliberações, os 184 bispos, a maioria latino-americanos, reunidos em outubro do ano passado no Vaticano para o sínodo sobre a Amazônia, aprovaram um documento que pede a introdução do “pecado ecológico”, assim como a possibilidade de ordenar padres casados e e ter diaconisas, temas considerados tabus para os católicos conservadores.

De acordo com um grupo de bispos americanos que o papa recebeu na segunda-feira para a tradicional visita ‘ad limina’, Francisco evitará um pronunciamento sobre a proposta controversa de autorizar a ordenação sacerdotal dos chamados “viri probati”, homens casados com uma vida impecável, muitos deles indígenas, para enfrentar a escassez de padres na região, que inclui nove países.

“O papa não acredita na ordenação de homens casados, mas algo deve ser feito para as pessoas privadas da eucaristia”, declarou à imprensa americana o bispo Oscar A. Solis, de Salt Lake City, Utah.

Ele fez referência às regiões remotas da floresta amazônica, às quais os padres não podem acessar com frequência para dar a comunhão.

Com a decisão, o papa argentino deseja que a exortação apostólica se concentre nos desafios ecológicos, sociais e pastorais, e não tanto no fim do celibato. Esta é uma questão que divide profundamente a Igreja.

O documento papal será apresentado à imprensa pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, e o cardeal Michael Czerny, subsecretário da seção de Migrantes e Refugiados, que foi o secretário especial do sínodo da Amazônia.

Considerado um dos pontos mais controversos aprovados, com 128 votos a favor e 41 contra, a possível ordenação de homens que têm família constituída e estável com autorização para celebrar os sacramentos em áreas remotas poderia desencadear um cisma com os defensores do celibato.

Agence France-Presse

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado