Centenas de pessoas protestaram hoje na cidade de Ramala, na Cisjordânia, contra a decisão da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de adiar a votação sobre um relatório da ONU que critica Israel por sua ofensiva na Faixa de Gaza.
Os manifestantes se reuniram na praça de Al Manara, no centro de Ramala, e foram liderados pelo partido “Iniciativa Palestina”, de Mustafá Barghouti.
A Polícia local montou um grande esquema de segurança para impedir que houvesse distúrbios no protesto, que transcorreu calmamente e foi dissolvido de forma pacífica pelas forças de segurança uma hora após começar.
Os manifestantes cantaram palavras de ordem contra a posição do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, de não ter levado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU o chamado “Relatório Goldstone”, o qual afirma que as forças israelenses cometeram crimes de guerra durante a ofensiva na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.
Barghouti fez um discurso no qual acusou a ANP de “ter atuado de forma irresponsável” e afirmou que “o relatório Goldstone é uma grande conquista internacional que deveríamos ter promovido”.
“A ANP tem que trabalhar para conseguir que o relatório seja aprovado pela ONU o mais rápido possível”, acrescentou.
Um dos manifestantes, Mohammed Akbar, declarou à Agência Efe que, “em janeiro, Israel matou 1.400 pessoas em Gaza; hoje, a ANP voltou a matá-las”.
Na sexta-feira passada, houve o adiamento para março da resolução do Conselho de Direitos Humanos sobre o relatório da missão de investigação da ONU sobre a última ofensiva israelense, presidida pelo juiz sul-africano Richard Goldstone.
O relatório acusa ambas as partes do conflito por crimes de guerra e recomenda que o caso seja levado ao Tribunal Penal Internacional se Israel e a ANP não realizarem uma investigação transparente em até seis meses.