Enquanto os hondurenhos vão hoje às urnas, os Governos latino-americanos que não reconhecem o pleito reafirmaram sua postura e juntaram forças para que a Cúpula Ibero-Americana se pronuncie.
A crise de Honduras é debatida hoje na cidade portuguesa de Estoril, horas antes do começo da 19ª Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de Governo.
O vice-ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, disse à Agência Efe que conseguiu “um acordo para que o assunto seja tratado em nível de chanceleres” e ressaltou que “alguns países” querem que desta reunião alcance um pronunciamento em relação a Honduras e as eleições.
Também espera o mesmo Manuel Zelaya, destituído da Presidência de Honduras por um golpe de Estado em 28 de junho, segundo disse à agência Efe a vice-ministra de Exteriores, Patricia Licona, que participa de Estoril em reuniões prévias à Cúpula.
As eleições em Honduras são uma “farsa” que completam o “golpe legal” planejado pelos Estados Unidos, disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em sua coluna impressa dominical “Las líneas de Chávez”.
Para o governante venezuelano, a eleição é a “segunda etapa” do golpe de Estado mediante o qual Zelaya foi retirado da Presidência, onde foi colocado em seu lugar o até então titular do Congresso, Roberto Micheletti.
Chávez opinou que se trata de uma nova “estratégia do império” para dar golpes de Estado que tenham aparência “legal”.
Além disso, classificou como um ato de “hipocrisia” a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de reconhecer como legítimo o Governo que resulte da eleição de hoje.
Por sua vez, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, afirmou hoje que as eleições em Honduras “estão no polo oposto” das que ocorrem hoje em seu país.
Vázquez afirmou que “o Governo uruguaio não vai reconhecer porque surge de uma decisão ilegal tomada por um Governo de fato”, afirmou.
“O caminho em Honduras deveria ter sido restituir o presidente eleito livre e democraticamente pelo povo hondurenho (Manuel Zelaya) e depois concorrer a eleições livres”, enfatizou Vázquez.
O Governo do Equador reiterou em comunicado divulgado hoje que não reconhecerá o resultado das eleições em Honduras, “convocadas pelo Governo de fato de Roberto Micheletti”, e formulou uma chamada à comunidade internacional para fazer o mesmo.
“Não existem as condições para que se desenvolva um processo eleitoral, evidentemente essas eleições estão absolutamente viciadas e não devem ser reconhecidas pela comunidade internacional”, assinalou o chanceler equatoriano, Fander Falconi.
Desde Genebra, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também disse que seu país não considera legítimo o pleito que se realizam em Honduras.
“Não acreditamos que sejam legítimas as eleições que foram conduzidas com o presidente Zelaya fora do poder, com um país imerso em um longo período de lugar, e com repressão contra a população”, assinalou Amorim em declarações à Agência Efe.
Zelaya, que foi expulso de Honduras após ser deposto, retornou de surpresa ao país em 21 de setembro e desde então se encontra na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
“É lógico que no espaço ibero-americano se faça um pronunciamento, porque houve um golpe de estado e houve violações dos direitos humanos”, declarou a vice-ministra de Exteriores Licona em Estoril.
Afirmou que o Governo do deposto Zelaya “não pediu” que a Cúpula emita um comunicado sobre a situação em seu país e as eleições que se realizam hoje, Licona admitiu que “outros países o fizeram” e citou entre eles à Venezuela.
Sobre o pleito, reiterou a posição do deposto presidente, no sentido que foram convocados para “legitimar um golpe de Estado”, previu “uma abstenção muito alta” e manifestou sua inquietação pelo fato de que possam ser “manipulados”.
Também em Estoril, o ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo, opinou hoje que “acatará” os resultados das eleições que ocorrem deste domingo em Honduras.
“A comunidade internacional tem de assegurar que seja um processo livre, transparente, que preencha os requisitos de um processo eleitoral e que deixe de sangrar esta Honduras que é parte de nossa pátria grande latino-americana”, acrescentou.
O Governo do Peru, que lidera Alan García, está a favor de reconhecer os resultados das eleições em Honduras, se desenvolvem de maneira democrática e transparente, da mesma forma que os da Costa Rica, Panamá e Estados Unidos.
México e Colômbia também anunciaram que esperarão ver como são o pleito de hoje para decidir se os reconhecem ou não.
O arcebispo de San Salvador, José Luis Escobar Asas, que dedicou a missa dominical a Honduras, pediu hoje pela paz e a harmonia nesse país e disse que “tomara” as eleições que se realizam este domingo nesse país alcancem parar “tanto sofrimento”.