Na cúpula de chefes de Estado e de Governo do Apec, que começa amanhã, Peru e Chile também deverão apoiar a entrada no grupo de Colômbia, Costa Rica e Panamá, assim que expirar o veto ao ingresso de novos membros no bloco.
O Peru, que organizou com sucesso a cúpula do ano passado, espera que o Apec retome seu objetivo original, que é a liberalização do comércio, segundo o chanceler peruano, José García Belaúnde.
Não por acaso, o presidente do Peru, Alan García, que na segunda-feira iniciou uma viagem pelo Japão e a Coreia do Sul, aproveitará o encontro em Cingapura para se reunir com governantes e empresários e frisar que o seu país pode ser a porta de entrada da Ásia na América do Sul.
García planeja se reunir com os presidentes da China, Hu Jintao, e de Cingapura, Sellapan Ramanathan, e também com o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejajiva, cujo país assina hoje um tratado de livre-comércio com o Peru.
Já o México, que tem entre os 20 países do Apec alguns de seus principais parceiros comerciais, tentará definir “iniciativas que facilitem a recuperação econômica” e “promovam a estabilidade, a segurança e a prosperidade” da região, segundo a Chancelaria mexicana.
Já que do Apec provém mais da metade dos investimentos estrangeiros diretos feitos no país, o Governo mexicano tem interesse em impulsionar temas como o fortalecimento do sistema multilateral de comércio, a conclusão da Rodada Doha, a luta contra a mudança climática, a segurança energética e a integração econômica regional.
O presidente do México, Felipe Calderón, já disse que, durante o encontro, reafirmará o apoio de sua nação “à promoção do comércio e dos investimentos, à melhora e à facilitação dos negócios, à cooperação econômica e tecnológica, aos esquemas de integração regional e à interligação logística e física dos países-membros do Apec”.
Calderón também terá encontros com alguns presidentes da região Ásia-Pacífico e se reunirá com representantes da empresa Temasek Holdings e suas subsidiárias, com o objetivo de promover o investimento destas companhias em setores estratégicos do México.
O Chile, por sua vez, considera o Apec “o fórum global mais significativo do qual participa”, segundo o subsecretário de Relações Exteriores, Alberto Van Klaveren.
Em Cingapura, o país vai promover, principalmente, o fortalecimento da expansão na América Latina do chamado “Arco do Pacífico”.
Van Klaveren ressaltou que esta tarefa deve ser liderada pelos três membros latino-americanos do Apec, motivo pelo qual propôs uma reunião entre os presidentes dessas nações em Cingapura.
“Temos interesse em que outros países latino-americanos possam ter uma relação mais intensa com a costa do Pacífico”, daí a proposta dessa reunião, acrescentou o funcionário.
Já em Cingapura, o chanceler chileno, Mariano Fernández, disse em um simpósio que o Apec deve fortalecer o livre-comércio e fazer frente às tendências protecionistas que surgiram após a crise internacional.
Segundo Fernández, o Apec deveria fortalecer o livre-comércio, em vez de recorrer a planos extraordinários e dispendiosos para reforçar suas economias.
Outro que estará presente na cúpula do Apec, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, afirmou que, embora a Colômbia ainda não seja membro do fórum, espera ingressar nele assim que expirar o prazo que proíbe novas adesões.
“É um tema que nos interessa, queremos estar na Ásia-Pacífico, queremos estar no Apec, e vamos aproveitar para nos reunir com líderes desses países e também apresentar a Colômbia nesse cenário”, disse.
Além de reuniões com os chanceleres dos países da região, Bermúdez possivelmente se encontrará com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
O Apec é integrado por 21 economias, entre as quais estão algumas das mais poderosas do mundo – EUA, China, Rússia e Japão. O grupo também é responsável por mais da metade do comércio global.