O Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal) realiza amanhã e quinta-feira, medical no Egito, generic uma nova cúpula para analisar os desafios de uma iniciativa diplomática que continua reivindicando seu próprio espaço no contexto mundial.
O Noal foi criado em 1961 pelo Egito, Índia e antiga Iugoslávia, a fim de compensar a bipolaridade que caracterizou os anos da Guerra Fria, e busca agora conseguir mais protagonismo nas decisões internacionais.
Os ministros de Assuntos Exteriores do Noal, reunidos na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh para preparar a cúpula que começará amanhã, denunciam a hegemonia dos países desenvolvidos, cujas decisões afetam todo o planeta, apesar de três quartos da população viver em países pobres ou de economias emergentes.
Os titulares de Exteriores do Noal completaram hoje, na sala de conferências de um dos hotéis desta localidade turística às margens do Mar Vermelho, o documento que será considerado na cúpula de amanhã e quinta-feira.
“A reunião deveria ter durado dois dias (quatro sessões), mas houve um acordo completo de pontos de vista dos membros, e realizamos apenas três sessões, duas ontem e uma hoje”, anunciou após as reuniões preparatórias o ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit.
Entre estes documentos, a minuta da declaração da 15ª cúpula de chefes de Estado do Noal à qual os meios de comunicação tiveram acesso insiste na necessidade de dar voz própria a esta organização, formada por 118 países.
Embora vários participantes e observadores internacionais insistirem em que o Noal já tem influência em vários fóruns internacionais, todos insistem em que ainda não é suficiente.
Os países do Noal, dizem os textos preliminares, mostram-se determinados a “revitalizar e reforçar o papel e a influência de nosso movimento como a principal plataforma política que represente o mundo em desenvolvimento nos fóruns multilaterais, em particular nas Nações Unidas”.
Hussam Zaki, porta-voz do Ministério de Exteriores do Egito, que assumirá a Presidência do Noal das mãos de Cuba, disse hoje a um grupo de jornalistas que seu país “trabalhará com energia e vitalidade” durante os próximos três anos.
O papel do Noal nos fóruns internacionais, o desarmamento nuclear e a segurança, os direitos humanos, assim como a segurança alimentar e a crise econômica, são os temas que tanto Hussam Zaki quanto os outros participantes e observadores destacaram como os mais importantes.
Mais de 50 chefes de Estado estarão presentes na cúpula, onde a representação latino-americana será marcada pela ausência.
Até o momento, dessa região, só foi confirmada a presença do presidente cubano, Raúl Castro, como presidente em final de mandato do Noal, assim como a do chefe de Estado dominicano, Leonel Fernández.
Uma das presenças mais polêmicas da cúpula será a do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, sobre quem há uma ordem de detenção emitida em 4 de março pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes de guerra e lesa-humanidade.
No entanto, não será a primeira vez que o líder sudanês viaja ao Egito, onde já se reuniu com Mubarak várias vezes desde a ordem de detenção. A última ocasião foi ontem, no Cairo.