Chelston Brathwaite, diretor do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), disse que, para enfrentar os efeitos negativos das mudanças climáticas na agricultura, a instituição vai propor “retomar o programa de seguros para a agricultura”.
“Antes, outorgar seguros agrícolas não era um tema rentável para as grandes empresas seguradoras”, disse. Isto era devido aos milionários danos causados por fenômenos naturais, como os furacões, as secas e as inundações.
No entanto, ele acredita “que é necessária uma aliança entre o setor privado e os Governos”. Segundo Brathwaite, “é mais barato”, especialmente para os países mais pobres do continente, “ter seguros agrícolas”. Com isso, seria possível garantir os investimentos e evitar crise alimentares geradas pelos efeitos do aquecimento global.
Junto a esta medida, de acordo com o diretor, devem ser incentivados programas para promover “práticas agrícolas modernas”, como a proteção de bacias hidrográficas e a reparação de terrenos dedicados à agricultura. De acordo com Brathwaite, estes planos devem estar “em harmonia com a proteção dos recursos naturais”.
As mudanças climáticas “já são uma realidade, e revertê-las é algo muito difícil”. Por isso, para ele, é preciso tomar medidas drásticas imediatamente para atenuar os efeitos e evitar que o fenômeno aprofunde os altos níveis de pobreza.
A reunião americana servirá de marco para a realização, de forma paralela, do Fórum Hemisférico de Delegados Ministeriais do Grupo de Implementação e Coordenação dos Acordos sobre Agricultura e Vida Rural (Grica).
Além disso, também serão realizadas a IV Reunião Ministerial de Agricultura e Vida Rural nas Américas e a XIV Reunião Ordinária da Junta Interamericana de Agricultura. O encontro na Guatemala termina no dia 27 de julho.
O ministro de Agricultura guatemalteco, Bernardo López, afirmou a jornalistas que além dos impactos das mudanças climáticas na agricultura, os ministros debaterão “o desenvolvimento da agricultura e seu papel na redução da pobreza rural e urbana” no continente.
Além disso, segundo López, os ministros falarão sobre “a produção de biocombustíveis gerados com produtos agrícolas e o impacto da biotecnologia na agricultura”. De acordo com Brathwaite, os acordos alcançados sobre esses temas nas reuniões “contribuirão para o cumprimento das Metas do Milênio” da ONU, “especialmente no que diz respeito à redução da pobreza até 2015”.
O diretor do IICA disse que “77% dos pobres do mundo dependem diretamente da agricultura”, o que obriga os Governos a dedicar especial atenção ao desenvolvimento desta atividade, “vital para a sobrevivência da humanidade”, em sua opinião.
Quanto à produção de combustíveis alternativos com base em produtos agrícolas, Brathwaite afirmou que esta é uma opção que deve ser “otimizada”.
Ele negou que exista um dilema ético a respeito. Para ele, “os biocombustíveis não devem afetar a segurança alimentar”, porque sua principal fonte “são os produtos não-alimentícios”, como os resíduos da cana-de-açúcar e a palmeira africana.
O milho, base nutricional de milhões de pessoas no continente, e cujo uso potencial na fabricação de etanol provocou debates e polêmicas, “não é uma opção aceitável”, ressaltou Brathwaite.
Para conseguir avanços na exploração da agroenergia e nos biocombustíveis, durante o encontro, o IICTA vai propor um programa de cooperação “para trocar experiências” com os países mais avançados nessas matérias. Também serão estabelecidos marcos jurídicos “para atrair investimentos estrangeiros”.