Os países que compartilham a Amazônia se somaram hoje à proposta que serão lideradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o da França, Nicolas Sarkozy, para frear a mudança climática, que será apresentada na conferência das Nações Unidas sobre o tema, em Copenhague.
Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela assinaram em Manaus seu apoio ao plano elaborado por Lula e Sarkozy na reunião que tiveram em Paris no meio do mês.
O compromisso dos oito países soberanos da região mais a França foi firmado na Declaração de Manaus, documento que servirá de base que guiará suas propostas em Copenhague, mas que “não excluirá outras iniciativas” que os países queiram apresentar individualmente, segundo Lula.
O texto aprovado hoje ressalta o princípio de “responsabilidades compartilhadas, mas diferenciadas”, com o qual pede aos países desenvolvidos que “reduzam significativamente suas emissões (de gases poluentes), de acordo com suas responsabilidades históricas”.
Após o encontro, Sarkozy afirmou em entrevista coletiva que a proposta é “muito precisa”, para evitar voltar a ficar em termos gerais como ocorreu com o Protocolo de Kioto, que vence em 2012.
A reunião contou com a participação de Lula, Sarkozy, do presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, e de ministros e representantes governamentais dos outros países, cujos líderes de Estado não puderam ir.
Lula disse que a ausência da maioria dos presidentes sul-americanos “não tirava valor” da Declaração de Manaus, já que foi negociada com todos os Governos e já que os presidentes se ausentaram “por motivos de agenda”.
“Há uma semana, os países não tinham apresentado números e Copenhague parecia vazia. A meta dos Estados Unidos não é a que eu gosto mais, mas é um compromisso”, afirmou Lula, em relação à proposta de Washington de reduzir suas emissões em 17% até 2020.
O presidente considerou que os “erros históricos” contra o clima só serão reparados “em décadas”, mas afirmou que Copenhague será “um começo”.
“É como a muralha chinesa, longa e demorada, mas alguém precisa pôr a primeira pedra. Em Copenhague vamos pôr o primeiro degrau de uma política responsável para cuidar nosso planeta”, acrescentou Lula.
Os países amazônicos pedirão que na conferência de Copenhague sejam determinadas fundos de países ricos que serão destinados às nações em desenvolvimento, para seus esforços no combate à mudança climática.
Também será abordada a abertura de linhas de crédito no “futuro imediato” para acelerar a tomada de decisões, segundo Sarkozy.
Estes créditos teriam duas linhas, a primeira, destinada a dar mais acesso à energia, o que beneficiaria especialmente as nações africanas, e a segunda, para financiar os países para que mantenham suas florestas.
Os países amazônicos se beneficiariam desta segunda linha, assim como os da bacia do rio Congo, Indonésia e Rússia, pelas florestas siberianas.
Sarkozy detalhou que a proposta inclui que 20% dos créditos desbloqueados sejam destinados à manutenção das florestas, já que essa mesma quantidade das emissões de dióxido de carbono do mundo procedem do desmatamento, segundo cálculos de organizações ambientalistas citados pelo presidente francês.
Também será proposta a criação de um mercado de crédito de carbono mundial, similar ao que já começou a funcionar nos Estados Unidos, além de outros planos, como taxar as transferências financeiras internacionais para alimentar um fundo de ajuda aos países em desenvolvimento.
Os países amazônicos também apoiaram a criação de uma organização mundial dedicada ao meio ambiente, incluída na iniciativa franco-brasileira apresentada há duas semanas em Paris por Sarkozy e Lula.