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Mundo

País pobre sente efeitos da crise

Arquivo Geral

18/10/2009 1h00

Uma mulher que cuida de seis netos já não tem como comprar leite. Um pedreiro que costumava trabalhar seis dias por semana agora tem sorte quando consegue serviço em dois. Um gerente de loja vê seus ganhos evaporarem. Quase quatro meses após o golpe militar que depôs o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho, os hondurenhos sentem o tormento da crise política que prejudicou uma economia já anteriormente frágil e aumentou a fome em um dos países mais pobres do hemisfério ocidental.

“Tudo subiu desde o golpe”, disse Leticia Medina, de 50 anos, ao andar por uma rua sem asfalto da capital hondurenha. “Era difícil antes, mas agora podemos comprar ainda menos.”
A economia do país já não estava bem antes do golpe. A recessão global reduziu as exportações e as transferências de recursos enviadas do exterior e das quais muitas famílias dependem. Agora, o caos político com protestos, toques de recolher, ruas bloqueadas e isolamento internacional piora a situação.

Os turistas estão afastados das praias, das ruínas maias e das florestas do país, resultado, em parte, de um alerta do Departamento de Estado norte-americano para que seus cidadãos evitem viagens não-essenciais a Honduras.


Na ilha de Roatan, um dos melhores lugares do mundo para mergulho, distante dos problemas da capital, o turismo caiu 85% desde o golpe, segundo Mario Pi, presidente do Centro de Informações Turísticas da ilha. “Para os hotéis, tem sido um desastre”, disse Pi, que prevê uma queda pela metade do movimento turístico no país até o fim do ano.


Em Tegucigalpa, os consumidores têm-se mantido longe das lojas por causa da ansiedade econômica ou temores sobre as manifestações e os congestionamentos que elas podem causar.
sem ajuda externa

Vários países exigem que Zelaya volte ao cargo e encerre seu mandato, que vai até janeiro, com uma coalizão de governo. Muitas dessas nações cortaram a ajuda que enviavam a Honduras para isolar o governo interino. Os Estados Unidos suspenderam cerca de US$ 40 milhões em auxílio não-humanitário, enquanto a União Europeia cortou US$ 90 milhões. Agências multilaterais de crédito também bloquearam o acesso a seus recursos.
Essas medidas tiveram desastrosos na economia do país, onde mais de 70% da população de cerca de 7,7 milhões de pessoas é considerada pobre e mais de 1,5 milhão vive com US$ 1 ou menos por dia.

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