O professor Gustavo Moncayo, pai do refém mais antigo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o soldado Pablo Emilio Moncayo, recebeu uma ligação na qual foi informado sobre uma suposta fuga de seu filho.
A informação foi confirmada à Agência Efe por Yuri Moncayo, uma das filhas de Gustavo, que não quis entrar em detalhes.
No entanto, o general Freddy Padilla de León, comandante das Forças Militares colombianas, disse a jornalistas no departamento (estado) de Vichada (leste), que não há nenhuma confirmação sobre a suposta fuga.
“Não temos confirmação dessa situação. É apenas um rumor”, afirmou León.
O general acrescentou que, quando houver “a informação, será feito todo o desdobramento e esforço porque uma vida vale tudo para nós, e particularmente a de um companheiro”.
León ressaltou que as operações de busca por Moncayo e todos os reféns da guerrilha continuam.
Horas antes, Gustavo Moncayo revelou que recebeu na noite desta segunda-feira “uma ligação que possivelmente foi interceptada, uma comunicação da guerrilha na qual dizem que Pablo Emilio escapou”.
“Não sei se é ele ou outro sequestrado em poder das Farc”, disse o professor à “Caracol Radio”.
Gustavo Moncayo, que também não quis dar mais detalhes sobre o telefonema, declarou a jornalistas que só quer que seu filho “volte à liberdade” e confia em que o Governo colombiano garanta a ordem “para que não haja fustigações nem bombardeios onde quer que esteja” seu filho.
Segundo o professor, o Governo declarou “uma caçada desumana” a todos os reféns e lamentou que nada tenha sido feito nos últimos oito anos para conseguir sua libertação.
“O Governo declarou uma caçada desumana a Pablo Emilio, durante sete meses perseguindo-o, bombardeando-o. Isto me parece muito desumano deste Governo, que não tem sentimentos e não compreende nossa dor”, acrescentou.
Moncayo responsabilizou diretamente o Governo colombiano no caso de “algo acontecer” com seu filho e disse esperar que “não seja tarde” para que as operações militares terminem e a guerrilha respeite a vida dos reféns.
Pablo Emilio Moncayo foi sequestrado pelas Farc em 21 de dezembro de 1997 na colina de Patascoy, no departamento de Nariño (sul), onde funcionava uma base de comunicações do Exército.
Em abril, as Farc anunciaram sua libertação de maneira unilateral. Entretanto, em ocasiões posteriores, a guerrilha acusou o Governo colombiano de não ter vontade de permitir o retorno do refém para sua família.
A suposta fuga coincide com o anúncio feito hoje pelo Governo da Colômbia de abrir caminho para a atuação da Igreja Católica e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nos “contatos necessários” com o objetivo de conseguir a “libertação imediata” de reféns.
Além de Moncayo, as Farc anunciaram a libertação do soldado Josué Daniel Calvo, assim como a entrega dos restos mortais do capitão Julián Guevara, falecido em cativeiro em 2006 após oito anos de sequestro.