A Otan planeja utilizar em certas circunstâncias bombas mais menores no Afeganistão para reduzir o número de vítimas civis, information pills assinalou ao “Financial Times” o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jaap de Hoop Scheffer.
De Hoop Scheffer reconheceu que o aumento das vítimas civis afetou à Otan e, por isso, os comandantes deram instruções a seus soldados para que atrasem os ataques contra os talibãs em situações nas quais a população possa estar em perigo.
Segundo explicou, a melhor tática é atrasar os ataques contra os talibãs, talvez esperar um dia, para evitar danos aos civis.
Assinalou que a Otan planeja o uso de bombas menores em determinadas circunstâncias para evitar o “dano colateral”, apesar de admitir que é impossível evitar totalmente as baixas civis.
“Percebemos que os talibãs mudaram de tática: eles sabem que não podem ganhar militarmente e agora estão expondo deliberadamente os civis a situações nas quais eles acabam mortos para prejudicar o apoio à Isaf (A Força de Assistência à Segurança no Afeganistão)”, acrescentou. “Isso quer dizer que nós também devemos fazer ajustes: não podemos evitá-lo”, declarou.
Segundo De Hoop Scheffer, as novas táticas dos talibãs obrigam a Otan a ter mais paciência e a usar menos armamento para reduzir as vítimas civis.
Também acusou os talibãs de fazer falsas afirmações, como ocorreu recentemente na província de Uruzgan.
“Eles queimaram gente, mataram e depois afirmaram que a Otan era quem estava matando. Não há equivalente moral entre a Otan e os talibãs: nós faremos todo o possível por evitar a morte de cada civil”, ressaltou De Hoop Scheffer.
O “Financial Times” lembra que a ACBAR – uma organização formada por mais de noventa ONGs para coordenar a assistência humanitária no Afeganistão – informou em junho que pelo menos 230 afegãos civis morreram em ataques das tropas estrangeiras este ano.