A missão da Otan no Afeganistão (Isaf, na sigla em inglês) assegurou neste sábado ter matado no leste do país um antigo detento de Guantánamo, Sabar Lal Melma, supostamente envolvido em tarefas de apoio à organização terrorista Al Qaeda.
Sabar Lal era, segundo afirmou a Isaf em comunicado, um líder responsável por ataques e financiamento das operações dos insurgentes no distrito de Pech, da província de Kunar, e mantinha contatos com chefes da Al Qaeda no vizinho Paquistão.
De acordo com a Isaf, uma força conjunta das tropas afegãs e internacionais localizou o líder mujahedin em um imóvel no distrito de Jalalabad, após obter informações proporcionadas por moradores da área.
“(Sabar Lal) saiu do edifício com uma espingarda de assalto AK-47 e foi morto. Vários insurgentes suspeitos foram detidos e postos sob custódia durante a operação de segurança”, afirmou a missão da Otan em sua nota de imprensa.
Várias testemunhas relataram à agência afegã AIP que as tropas conjuntas detiveram três pessoas e confirmaram a morte do líder insurgente, um conhecido líder mujahedin que combateu a ocupação soviética do país na década de 1980.
“Não tinha cometido nenhuma atividade criminosa, mas as tropas o assassinaram a sangue frio”, denunciou seu primo, Haji Zabardast, em declarações à agência afegã Pajhwok.
Sabar Lal, de cerca de 50 anos, lutou contra os talibãs durante o período de vigência do regime fundamentalista (1996-2001), mas segundo os Estados Unidos ajudou membros da Al Qaeda após a batalha de Tora Bora (2001), na qual Osama bin Laden conseguiu escapar.
O terrorista foi detido durante um conselho tribal em 2002 e enviado a Guantánamo, suspeito de ter protegido “nove árabes” que fugiam das tropas dos EUA ao sul de Tora Bora, de acordo com arquivos da prisão que vazaram através do portal WikiLeaks.
Sabar Lal, considerado um suspeito de categoria “média”, foi repatriado ao Afeganistão em 2007, e segundo a Isaf retomou sua atividade como o senhor da guerra em Kunar, uma conflituosa província que limita com as áreas tribais do Paquistão.