O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, informou que a aliança não pode confirmar o suposto lançamento de mísseis balísticos iranianos contra a base militar de Diego Garcia, no Oceano Índico, no sábado (21).
Em entrevista à CBS News neste domingo (22), Rutte afirmou: ‘Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando’. Questionado sobre a capacidade balística do Irã para atingir cidades europeias, como alegado por autoridades israelenses, o chefe da Otan disse que Teerã está ‘muito perto’ de possuir essa tecnologia intercontinental.
‘Se esse foi o caso da base no Reino Unido, em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito perto de tê-la’, completou Rutte.
O Irã nega veementemente as acusações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, classificou o alegado ataque como uma ‘falsa bandeira’ destinada a justificar agressões contra Teerã. Autoridades iranianas destacam que os mísseis do país têm alcance máximo de 2 mil quilômetros, enquanto Diego Garcia está a mais de 3 mil quilômetros do território persa.
Fontes militares dos Estados Unidos, não identificadas, relataram a agências internacionais que o Irã teria lançado mísseis contra a base conjunta, mas que os projéteis não atingiram as instalações. Israel utilizou essas informações para pressionar países europeus a se envolverem no conflito, com o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, afirmando que apenas Islândia, Irlanda e Portugal estariam fora do alcance dos mísseis iranianos, citando distâncias para Berlim, Paris e Londres.
O governo do Reino Unido tem apoiado logisticamente as operações dos EUA na região, incluindo o uso de bases britânicas para ações defensivas no Estreito de Ormuz. Essa confirmação, feita na sexta-feira (20), gerou reações do Irã. O ministro das Relações Exteriores de Teerã, Seyed Abbas Araghchi, alertou que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está colocando vidas em risco ao permitir o uso de bases para agressões contra o Irã, e que Teerã exercerá seu direito à autodefesa.
Quanto ao programa de mísseis iraniano, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem justificado ações contra Teerã alegando proximidade com mísseis intercontinentais capazes de atingir o território americano. No entanto, a diretora da Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, afirmou em audiência no Senado na semana passada que a comunidade de inteligência avalia que o Irã poderia desenvolver tal tecnologia militarmente viável antes de 2035, caso prossiga com o esforço. Essas avaliações estão sendo atualizadas devido a ataques recentes às instalações iranianas.
Se o ataque for confirmado como obra iraniana, o incidente poderia envolver o Reino Unido e a Otan em um conflito maior no Oriente Médio.