A região oriental da Líbia permaneceu tranquila nesta quinta-feira e sob o controle dos chamados “conselhos populares”, enquanto o líder líbio, Muammar Kadafi, voltou a pedir à população que “combata” os “manifestantes”.
Da fronteira entre a Líbia e o Egito – onde não existe controle líbio, com exceção de dois milicianos que cumprimentam as poucas pessoas que a cruzam – até Tobruk, a 120 quilômetros, as bandeiras da independência tremulam nos edifícios oficiais e as delegacias estão vigiadas por civis, alguns deles armados.
Nas pequenas povoações entre a fronteira e Tobruk, um miliciano armado em meio à estrada é a única força de segurança visível.
Ele permanece junto à delegacia, onde um grupo de jovens conversa enquanto vigia os veículos que passam.
Em Tobruk, a principal cidade do extremo leste do país, a delegacia central e a sede da Polícia secreta foram incendiadas nos primeiros dias das manifestações que pedem a renúncia do líder líbio, Muammar Kadafi, no poder há 41 anos.
Suas paredes estão rabiscadas com frases que qualificam Kadafi como um “açougueiro”, enquanto algumas frases dizem: “A Líbia é livre, Kadafi fora” e “Que caia Kadafi”.
O membro de comitê popular assegurou que todo o leste do país foi libertado e acrescentou que os representantes dos conselhos das principais cidades do norte se reunirão nesta quinta-feira para estudar a situação no oeste do país, onde Kadafi continua dominando.
Algumas cidades do oeste também se encontram sob poder dos rebeldes, segundo várias fontes citadas por emissoras árabes.
No centro de Tobruk, mais de mil de pessoas pediram a queda de Kadafi nesta quinta-feira.
Em discurso à população de Zawiya, onde dezenas de pessoas morreram nesta quinta-feira em um ataque de tropas do regime, o líder líbio declarou que os manifestantes são “terroristas, drogados e agentes dos serviços secretos estrangeiros”.
“Os espiões do exterior distribuem drogas aos jovens para incentivá-los a criar distúrbios que sirvam aos interesses da Al Qaeda e de Bin Laden”, disse Kadafi em uma breve mensagem.
Com bandeiras da independência líbia, cidadãos desta cidade de pouco mais de 100 mil habitantes mostraram sua rejeição a Kadafi.
“Este é o princípio da revolução”, assegurou Khamis Ahmad, professor universitário, antes de ressaltar que “Kadafi transformou a revolução branca em uma revolução sangrenta”.
“Não temos medo de Kadafi”, assegurou o professor de História Muhamad Ali, em referência à possibilidade de Kadafi tentar recuperar a parte oriental do país, que há vários dias está sob controle dos comitês populares.
“Se há alguém neste país que use as drogas às quais Kadafi se refere, é por que ele as distribui”, assegurou um jovem em referência às últimas declarações do líder líbio.
Os rebeldes organizaram comissões de segurança, de saúde e de administração, com seus centros nos principais edifícios da praça central desta localidade junto ao Mediterrâneo.
Também participam destas comissões antigos agentes da Polícia.
Um deles afirmou diante do edifício incendiado em que trabalhava até o início da revolução que se uniu aos manifestantes porque ele também faz parte do povo.