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Opositora promete seções eleitorais vazias e ‘grande derrota’ do governismo na Venezuela

As eleições de 25 de maio são “uma grande farsa que o regime quer montar para enterrar a sua derrota de 28 de julho”, disse María Corina à AFP

Redação Jornal de Brasília

15/05/2025 23h38

Venezuelan opposition leader Maria Corina Machado speaks during a press conference at her party headquarters in Caracas, on March 26, 2024. – Venezuela’s main opposition leader said Tuesday that President Nicolas Maduro had “chosen” his poll rivals after key contenders were blocked from running in the July presidential election. “What we warned about for many months ended up happening: the regime chose its candidates,” said Maria Corina Machado, who was banned from holding public office by courts loyal to Maduro and whose proxy candidate was unable to register by the deadline at midnight on Monday. (Photo by Ronald PEÑA / AFP)

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado prometeu seções vazias e “uma grande derrota do regime” nas eleições legislativas e regionais de maio, às quais convocou um boicote, dez meses após a reeleição polêmica do presidente Nicolás Maduro.

As eleições de 25 de maio são “uma grande farsa que o regime quer montar para enterrar a sua derrota de 28 de julho”, disse María Corina à AFP. “Vamos […] ratificar essa derrota com total ausência, com total rechaço, deixando todos as seções eleitorais vazias.”

A oposição segue proclamando a vitória do seu candidato, Edmundo González Urrutia, que vive no exílio. “O 25 de maio será uma grande derrota para o regime, porque ele vai estar absolutamente sozinho”, afirmou María Corina, 57, em entrevista via Zoom. A opositora vive na clandestinidade desde agosto, e afirma que está “em isolamento absoluto”.

– Oportunidade sem precedentes –

María Corina mencionou “fraturas no sistema” e ressaltou que nunca “houve uma oportunidade maior de conseguir uma transição para a democracia na Venezuela”. “O regime de Maduro está em uma posição mais vulnerável.”

“Os venezuelanos já votaram, em 28 de julho, e vamos fazer valer esse mandato. Vamos confirmá-lo não aceitando a farsa e a armadilha de 25 de maio”, disse a opositora.

María Corina prevê “um enorme repúdio da sociedade venezuelana, e um ato de valentia e coragem de cada pessoa que não aceita ser obrigada a exercer um dos mais sagrados direitos que temos na democracia: o direito de eleger, de escolher, e não de marcar um papel ou apertar um botão”.

O poder “esvazia completamente de sentido o voto como expressão da soberania popular”, lamentou a opositora, que criticou a decisão de alguns opositores de participar da eleição.

O líder Henrique Capriles, que representou a oposição em duas eleições presidenciais, acredita que se deve participar “para defender” a vitória da oposição nas últimas eleições, e considera que a política de abstenção nas eleições de 2018 não teve sucesso.

María Corina mencionou que, para os opositores que participarem, “o regime oferece os meios da máquina de propaganda oficial, e o regime lhes cederá esses espaços. Você acha que uma pessoa que cumpre todas essas condições para que o regime lhe conceda espaço será uma voz em favor da liberdade ou uma voz subserviente ao regime?”

– ‘Tirania’ –

A opositora afirmou que Maduro “cometeu crimes contra a humanidade, por isso é necessário aplicar a justiça internacional”. “Nada prejudica mais este povo do que ter uma tirania que persegue. A receita de Nicolás Maduro vai para a corrupção, a repressão e uma máquina de propaganda que busca semear o terror.”

María Corina também considera que Maduro “se tornou um incômodo para aqueles que foram seus aliados”. “Rússia, China, Irã, Síria, onde estão?”

“Não nos rendemos porque, isto sim, é até o fim”, disse a opositora, repetindo o lema que se popularizou na última campanha eleitoral.

pgf/mbj/nn/rpr/am/lb

© Agence France-Presse

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