Dirigentes opositores a Chávez disseram que o presidente e seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, mantêm seus países nesta situação de desencontro, inclusive com chamados a preparativos bélicos, como uma “cortina de fumaça” que responde às “agendas pessoais” de ambos.
Foi neste sentido que se expressou, em comunicado, o líder do partido venezuelano Primeiro Justiça, Julio Borges, que pediu para que os dois chefes de Estado pensem “primeiro nos povos”.
Borges declarou apoio ao empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar reunir Chávez e Uribe ainda neste mesmo mês em Manaus.
“A única solução para esta grave crise entre Venezuela e Colômbia é por meio do diálogo”, o que deixará sem sentido os “argumentos de que alguns são os bons e outros são os maus, de que alguns são uma aberração histórica e os outros, heróis latino-americanos”, opinou o líder opositor.
O presidente da Federação de Centros Universitários venezuelana, Roderick Navarro, disse que há na Venezuela “muitos problemas com os serviços públicos, como a água e a eletricidade” e que a tensão atual “é uma manobra para escapar das responsabilidades em vez de assumi-las”.
Ontem, Chávez convocou militares e civis a estarem prontos “para a guerra” diante da possibilidade de uma agressão que, em sua opinião, estaria sendo tramada por Washington.
O presidente venezuelano ordenou ontem à Força Armada Bolivariana que se prepare “para a guerra como a melhor forma de evitá-la”.
Em uma espécie de alerta, Chávez disse à Colômbia e aos EUA que os venezuelanos estão “dispostos a tudo” para combater o suposto plano bélico que, segundo ele, está contido no tratado que permite o uso de bases militares colombianas por tropas americanas.
Em declarações concedidas hoje à rádio “Unión”, o ex-vice-presidente venezuelano José Vicente Rangel, considerado como um homem próximo a Chávez, amenizou as palavras do presidente.
Segundo Rangel, o que o governante venezuelano disse é “o que todos pensamos, que para evitar a guerra é preciso estar preparado, simplesmente isso”.
“Queremos prevenir o conflito, e queremos alertar a população e a Forças Armadas, como é lógico”, afirmou Rangel, que chamou a situação com a Colômbia de “delicada” durante a entrevista à rádio.
Vice-presidente de Chávez até janeiro de 2007, Rangel disse que “a possibilidade de um conflito armado entre os dois países” provoca “inquietação”, mas que isso não depende da Venezuela e sim “do Pentágono, do Comando Sul e do satélite colombiano”, em referência ao acordo sobre as bases.
Em meio à saraivada de reações críticas às palavras de Chávez, inclusive além das fronteiras do país, o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) fez um chamado para “vencer o imperialismo, não somente no ideológico e no político, mas também no econômico e, caso necessário, no militar”.
O PSUV se declarou disposto a “acompanhar” Chavez e as Forças Armadas no caso de conflito bélico, apesar de destacar a esperança de que isso não seja preciso.
As permanentes divergências entre Venezuela e Colômbia, cujas relações chegaram à beira do colapso há um ano e meio antes de uma animadora reconciliação, dispararam novos alarmes nos últimos meses devido à tensão derivada do convênio militar entre colombianos e americanos.
O acordo, que prevê o uso de sete bases colombianas pelas forças dos EUA e que é considerado por Chávez como uma “ameaça” para a “revolução bolivariana”, levou o presidente venezuelano a ordenar o “congelamento” das relações com a Colômbia em agosto, o que representou o colapso do comércio bilateral.
A falta de cooperação entre ambos os Governos também criou uma grave situação de insegurança na fronteira comum, que se estende por mais de dois mil quilômetros.
A tensão na área, alimentada nas últimas semanas por incidentes e assassinatos, gerou mais controvérsia entre as autoridades dos dois países vizinhos e também em dois dos estados venezuelanos da fronteira, Táchira e Zulia, ambos governados atualmente por dirigentes de oposição a Chávez.