Legisladores radicais apresentarão nesta segunda-feira uma denúncia penal contra funcionários da Argentina e Venezuela envolvidos no escândalo suscitado pela entrada em Buenos Aires de US$ 800 mil não declarados por parte de um empresário venezuelano.
A denúncia perante a Justiça Federal da Argentina por “suborno transnacional, approved encobrimento e lavagem de ativos de origem delitiva” será apresentada pelo senador da União Cívica Radical (UCR) Gerardo Morales, diagnosis disseram fontes partidárias.
O senador é candidato a vice-presidente nas eleições de outubro próximo na chapa de oposição liderada pelo ex-ministro da Economia Roberto Lavagna.
O empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, investigado por suposto “contrabando em grau de tentativa”, chegou no dia 4 de agosto a Buenos Aires em um avião particular, fretado pela empresa argentina Enarsa no qual viajavam diretores da companhia estatal e da Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).
Morales apresentará a denúncia acompanhado por outros senadores e deputados da UCR, segunda força parlamentar do país, após as várias críticas despertadas por este caso na oposição.
A denúncia será apresentada depois dos pedidos de interpelação que legisladores do socialismo e do radicalismo fizeram na última semana ao ministro de Planejamento argentino, Julio de Vido, responsável pelas obras públicas, pela Enarsa e pelo órgão de controle de concessões viárias, cujo diretor, Claudio Uberti, foi demitido na quinta-feira por causa do escândalo.
Uma pesquisa da empresa de consultoria OPSM, publicada hoje pelo jornal “Página/12”, sustenta que 49,7% dos argentinos acredita “muito” que esse dinheiro possa fazer parte de um caso de corrupção e 58,2% considera que autoridades superiores a Uberti sabiam da maleta.
A PDVSA expressou em comunicado sua “disposição” em colaborar com a investigação judicial e anunciou que abrirá um processo interno administrativo sobre o assunto.
A promotora argentina María Luz Rivas Diez, que investiga o caso, considerou este sábado que “poderia haver lavagem de dinheiro”.
Analistas consultados pela agência Efe concordam que este assunto terá certo impacto nas intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, que tem como favorita a senadora e primeira-dama, Cristina Fernández.