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Operadores de petróleo analisam impacto de ataques ao Irã, 3º maior produtor da Opep

O conflito de 12 dias entre Irã e Israel no ano passado fez o preço do Brent, referência mundial, disparar mais de 20%

Redação Jornal de Brasília

28/02/2026 12h37

petróleo

Foto: Reprodução/Instagram

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os mercados de petróleo só reabrirão na manhã de segunda-feira (2), mas os operadores do setor já avaliam quais serão os efeitos do ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A produção iraniana de petróleo é a terceira maior da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e representa cerca de 4,5% da oferta global do produto. São cerca de 3,3 milhões de barris por dia de petróleo bruto.

O conflito de 12 dias entre Irã e Israel no ano passado fez o preço do Brent, referência mundial, disparar mais de 20%, chegando a quase US$ 79 por barril, antes de recuar com o arrefecimento das tensões.

Quando os EUA entraram no confronto, —também em um fim de semana—, o barril disparou mais de 5% na reabertura, antes de desabar à medida que os operadores do mercado concluíram que a ação se desescalonaria rapidamente.

O Brent já acumulava alta de 22% desde dezembro, superando US$ 72 o barril —inicialmente por preocupações com a ação americana na Venezuela e, mais recentemente, pelo temor de um ataque a Teerã.

Analistas afirmam que outros membros da Opep poderiam compensar uma eventual queda no fornecimento iraniano utilizando sua capacidade ociosa para elevar a produção —ainda que essa margem venha encolhendo em razão dos aumentos de produção adotados pelo grupo ao longo do último ano.

Os membros do grupo de exportadores devem se reunir neste domingo para discutir os níveis de produção para abril. O grupo manteve a produção estável neste ano, mas há uma forte expectativa de que comece a elevar a oferta na primavera —movimento que poderia ajudar a acalmar os mercados caso as tensões se agravem.

As principais compradoras do petróleo iraniano são refinarias privadas chinesas. O Tesouro dos EUA já impôs sanções a algumas delas por aquisições de petróleo iraniano.

A China afirma não reconhecer sanções unilaterais contra seus parceiros comerciais, mas suas compras de petróleo bruto iraniano têm diminuído. Diante desse cenário e buscando também proteger seus estoques de possíveis ataques americanos, o Irã acumulou um volume recorde de cerca de 200 milhões de barris em navios —equivalente a aproximadamente dois dias de consumo global—, segundo dados da consultoria Kpler publicados em 27 de fevereiro.

O Irã tem contornado as sanções por anos por meio de táticas como a transferência de petróleo entre navios em alto mar, a adulteração da origem da carga e o ocultamento da localização dos petroleiros de satélites.

Nas últimas semanas, os grandes exportadores do Oriente Médio vinham se apressando para embarcar cargas de petróleo bruto já como parte de um plano de contingência.

A Arábia Saudita embarcou cerca de 7 milhões de barris por dia em fevereiro —o maior volume desde 2023 —, enquanto as exportações de petróleo dos Emirados Árabes Unidos devem atingir um recorde de 3,5 milhões de bpd (barris por dia), segundo dados da Kpler.

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