A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Agência Internacional da Energia (AIE) coincidiram hoje em que em médio e longo prazos os preços do petróleo terão que subir de acordo com os investimentos necessários para evitar futuros cortes no abastecimento.
Esta constatação -e a de que uma alta do barril de petróleo terá que aguardar sinais de recuperação econômica-, erectile foram algumas das principais conclusões da 10ª edição da Cúpula Internacional do Petróleo que reuniu hoje em Paris a boa parte dos principais nomes do comércio petroleiro mundial.
“Preços baixos da energia não são possíveis no longo prazo, check já que serão necessários investimentos enormes” para cumprir as necessidades futuras, ressaltou Tanaka, que representa os grandes consumidores de petróleo membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em um horizonte mais próximo, Tanaka apostou que “se a demanda se recuperar, os preços provavelmente subirão”, e insistiu na importância de um barril de petróleo a um nível suficiente -sem apresentar um número- para que se possam fazer investimentos que tornem rentável o aumento da capacidade de produção.
A cotação do barril de petróleo se manteve nas últimas semanas abaixo dos US$ 50, meses após terem chegando, no ano passado, ao recorde histórico em torno dos US$ 150.
A AIE revisou para baixo suas previsões de consumo mundial de petróleo para deixá-la em uma média de 84,4 milhões de barris diários em 2009.
O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdalla Salem El Badri, afirmou hoje que um patamar de preços entre US$ 70 e US$ 80 por barril permitiria investimentos em novas jazidas que, segundo ele, serão imprescindíveis quando a economia mundial se recuperar aumentando a demanda.
Badri admitiu que por enquanto, devido à crise, não é possível chegar a esse nível, embora tenha se mostrado confiante em que o preço volte a subir conforme a economia se recupere, embora sem chegar aos níveis do ano passado, que considerou “excessivos”.
O secretário-geral da Opep se disse preocupado com a grande volatilidade do mercado do petróleo que, segundo ele, põe em perigo muitos projetos no setor, além de gerar incerteza em planejamentos de longo prazo.
A mesma ideia foi defendida por Tanaka, que afirmou que “não são incompatíveis” os maciços investimentos que a AIE quer para as energias renováveis e aqueles direcionados para novos poços de petróleo que substituam os que forem se esgotando porque “o petróleo continuará sendo uma energia fundamental durante décadas”.
Tanto Badri quanto o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Al Hamili, criticaram a “excessiva volatilidade” a que se vê submetido o mercado do petróleo por causa de uma atividade especulativa que, segundo este último, “não beneficia ninguém”.
Apesar das circunstâncias da crise atual, representantes de companhias petrolíferas como as francesas Total e GDF Suez e a hispano-argentina Repsol YPF afirmaram que não pretendem reduzir seus investimentos.
O presidente de Total, Christophe de Margerie, disse que, embora os preços atuais do barril não os tornem rentáveis, neste ano pretendem investir cerca US$ 18 bilhões nos projetos programados, alguns dos quais reconheceu que poderiam ser atrasados.
O diretor-geral de operações da Repsol, Miguel Martínez, afirmou que a situação financeira de sua empresa permitirá cobrir os 7,7 bilhões de euros previstos em investimentos, sem que seja preciso recorrer a um refinanciamento.
E o vice-presidente de GDF Suez, Jean-François Cirelli, reafirmou o plano trienal de investimento 2008-2010 no valor de 30 bilhões de euros.