A ONU obrigou a um membro do Exército do Nepal, acusado de torturar e assassinar uma adolescente, a deixar o Chade, onde participava de uma missão de paz, e retornar a seu país, informou hoje uma fonte oficial.
O major Nirajan Basnet já deixou o país africano e voltou ao Nepal, após a pressão exercida por várias organizações de direitos humanos.
Basnet foi acusado pela Polícia nepalesa de ter responsabilidade pela morte da jovem de 15 anos de idade Maina Sunwar, que perdeu a vida durante um interrogatório depois que membros do Exército supostamente a torturaram em uma base militar, em fevereiro de 2004.
Apesar da acusação, o Exército nega que Basnet tenha participação no caso, se recusou a afastar ou punir o major e o enviou à missão internacional.
O caso foi tratado pessoalmente pela então chefe da Delegacia da ONU para os direitos humanos, Louise Arbour, que em janeiro de 2007 se reuniu com o chefe do Exército nepalês, Rookmangud Katawal, para pedir-lhe que cooperasse com a Polícia.
A morte da jovem aconteceu durante a guerra civil entre as forças armadas do país (então uma Monarquia) e a guerrilha maoísta, que encerrou suas atividades em novembro de 2006 após um acordo de paz com o Governo.
“Quando o Exército realizou suas investigações, não foi achado culpado”, disse hoje à Agência Efe o porta-voz das forças armadas nepalesas, Ramindra Chettri, que afirma que agora cabe ao Executivo decidir se o caso policial será reaberto.
“Esperamos que o Governo do Nepal aproveite a oportunidade para fazer justiça”, disse o comissário de Direitos Humanos da ONU no país, Richard Bennet, em comunicado.
Parte dos acordos de paz no Nepal prevê a integração do antigo Exército Real e a guerrilha maoísta desmobilizada, mas o processo está estagnado desde que o Partido Maoísta – que ganhou as eleições de abril de 2008 – abandonou o Governo e passou à oposição, em maio deste ano.
A Monarquia foi abolida no Nepal em maio de 2008, mas o Exército que a sustentou continua sendo uma instituição de grande poder e os crimes cometidos por ambos (Exército e guerrilha) durante a guerra ficaram, em sua maioria, impunes.