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Mundo

ONU reitera pedido de suspensão do embargo dos EUA a Cuba

Arquivo Geral

25/10/2011 17h40

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta terça-feira (25), por maioria, uma resolução que, pela 20ª vez consecutiva, pede a suspensão do embargo econômico e comercial que os Estados Unidos decretaram em 1962 contra Cuba.

O documento obteve apoio quase unânime da Assembleia: 186 Estados votaram a favor e apenas dois se manifestaram contra – EUA e Israel -, além de três abstenções – Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, pediu o  fim dessas sanções contra a ilha e ressaltou o apoio “categórico e arrasador” da comunidade internacional contra o bloqueio. Segundo ele, há “uma falsa imagem de flexibilidade” por parte do Governo americano com as medidas adotadas para suavizar o embargo.

“O bloqueio e as sanções permanecem intactos, em completa aplicação, e se acentuou nos anos mais recentes seu caráter extraterritorial”, destacou o chanceler cubano.

Segundo as autoridades da ilha, existe uma “retórica oficial que pretende convencer a opinião pública de que o atual Governo americano introduziu uma política de mudanças positivas”.

Rodríguez Parrilla assinalou que o os EUA, sob a presidência de Barack Obama, reforçou “a perseguição às transações financeiras cubanas no mundo todo, sem respeito às leis de terceiros países nem à oposição de seus Governos”. Cuba recebeu o apoio de todos os grupos regionais representados no plenário da Assembleia, assim como do Grupo dos 77 – representado pelo diplomata argentino Diego Limera – e da China, que criticou as medidas adotadas pelos norte-americanos para suavizar o embargo alegando que elas possuem “um efeito limitado” sobre as vidas dos cubanos.

“O embargo não foi modificado e segue impondo severas restrições econômicas e financeiras a Cuba”, disse Limera. Em nome desse grupo, ele considerou que a sanção americana também frustra os esforços para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos pela ONU, e afeta negativamente a cooperação regional.

O embaixador da Venezuela na ONU, Jorge Valero, aproveitou o debate para lançar críticas aos americanos. “(Obama) não tomou nenhuma medida para suavizar o bloqueio criminoso, algo que não requer a autorização do Congresso”.

O México, mediante seu embaixador na ONU, Luis Alfonso de Alba, uniu-se à rejeição e reiterou sua oposição ao bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, ao passo que reiterou sua “oposição à utilização de ações coercitivas contrárias ao direito internacional e que, por isso, não têm respaldo na Carta das Nações Unidas”.

Já o representante dos EUA no debate, Ronald Godard, disse que, em mais um ano, “debate-se uma resolução destinada à confusão”, e ressaltou que o embargo de Washington a Havana “é um assunto bilateral que não concerne à Assembleia”. O diplomata americano ressaltou também o compromisso de seu Governo com os cubanos “para que determinem livremente seu futuro, algo que o regime cubano lhes privou durante mais de meio século”.

“As políticas do Governo cubano são seus próprios obstáculos ao desenvolvimento e ao crescimento econômico”, acusou Godard, reiterando que os ambientes de liberdade são a melhor via para um crescimento econômico sustentável.

Apesar disso, o cubano Rodríguez Parrilla denunciou que o embargo causa prejuízos de US$ 975 bilhões a Cuba desde que foi imposto, em 1962.

Segundo as autoridades de Havana, o bloqueio americano é “particularmente cruel” no campo da saúde pública de Cuba. O impacto da medida desde maio de 2010 até abril deste ano é estimado em US$ 14 milhões, enquanto, em alimentação, seu efeito chega a mais de US$ 120 milhões.

A medida foi aplicada de maneira oficial no dia 7 de fevereiro de 1962, sob o mandato do presidente John Kennedy, mas o Governo de Washington já havia imposto certas sanções desde 1959, ano do triunfo da Revolução Cubana, que levou Fidel Castro ao poder.

Os pedidos da Assembleia Geral da ONU para que os EUA suspendam o embargo à ilha não possuem efeitos vinculantes, mas apresentam caráter simbólico e são usados como meio de pressão internacional contra Washington.

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