As Nações Unidas receberam hoje de 11 grupos de oposição de Mianmar (antiga Birmânia) um programa “unificado” de reconciliação nacional, no qual propõem começar um diálogo com a Junta Militar do país para iniciar uma “autêntica” transição à democracia.
O primeiro-ministro do Governo de Coalizão Nacional da União de Mianmar (NCGUB), Sein Win, que se autoproclama o Governo no exílio, foi o encarregado de apresentar o documento em entrevista coletiva na sede do organismo mundial.
Win assegurou que o programa, assinado pelos 11 grupos, é a primeira ocasião em que a oposição birmanesa se une em uma plataforma política “unificada”.
“Os militares e alguns países gostam de dizer que a oposição está dividida. Agora não poderão mais dizer”, afirmou o líder opositor, que esteve acompanhado pelo encarregado de exteriores do NCGUB, U Bo Hla-Tint e o secretário-geral do NCGUB, U Maung Maung.
Os opositores disseram que fizeram o programa de transição chegar ao enviado especial da ONU para Mianmar, Ibrahim Gambari, assim como a alguns dos países que acompanham mais de perto a situação no país.
O desejo dos grupos é que a ONU faça chegar o documento aos líderes da Junta Militar e peça que eles aceitem a iniciativa de abrir um processo de negociação, acrescentaram.
A Liga Nacional pela Democracia (NLD), o partido opositor mais importante de Mianmar e cuja líder é a vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, não faz parte dos grupos que apoiam publicamente o plano.
Win ressaltou que o primeiro passo dentro do processo de reconciliação nacional que a oposição promove deve ser a libertação dos cerca de dois mil presos políticos do país, começando por Suu Kyi.
Os opositores acreditam que sem um diálogo com todas as legendas, o plano da Junta Militar de dar um verniz democrático ao regime com eleições em 2010 fracassará.
Hla-Tint lembrou que a oferta de diálogo aos generais que governam Mianmar não tem data para expirar.