A ONU considera a luta contra a violência de gênero uma prioridade no mesmo nível que os denominados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), pill um projeto da comunidade internacional que pretende obter até 2015 a redução da fome e da pobreza e o controle da propagação da aids.
A afirmação foi feita hoje por Antonio Maria Costa, treat diretor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), durante a abertura da 17ª sessão da comissão de Prevenção do Delito e Justiça Criminal, realizada até sexta-feira em Viena.
Em entrevista à imprensa, Costa lembrou que uma em cada três mulheres no mundo sofre algum tipo de abuso ou violência, e alertou para que, na população feminina com entre 15 e 44 anos, o risco de estupro ou de agressão doméstica é maior do que o de ter câncer ou sofrer um acidente de trânsito.
O responsável da UNODC assegurou que, apesar de a violência contra a mulher não ser um dos Objetivos do Milênio, “é preciso agir como se fosse”.
Ele destacou três elementos essenciais na luta contra a violência de gênero: consciência global sobre o problema; que os Estados tenham legislação que permita detectar e punir os agressores, e a facilitação da assistência social e proteção às vítimas.
Costa qualificou de “lógica perversa” o fato de a violência doméstica ser considerada por alguns como um assunto privado.
Da mesma forma, disse que é preciso romper muitos “muros psicológicos”, como a vergonha que algumas mulheres sentem e que lhes impede de denunciar as agressões sofridas, e o fato de os homens considerarem um “direito” bater em suas parceiras.
Em termos gerais, o também responsável da sede da ONU em Viena indicou que a luta contra a criminalidade é uma ferramenta para melhorar as condições econômicas dos países.
Para Costa, conseguir que impere a lei e a segurança, e a estabilidade que isso traz, “é crucial” para melhorar o índice de desenvolvimento dos países.
Como exemplo, lembrou que Jamaica e Haiti poderiam dobrar seu crescimento econômico se reduzissem seus índices de criminalidade aos níveis da Costa Rica.
Outros assuntos que serão discutidos durante a reunião da UNODC são os crimes ambientais, a insegurança nas grandes metrópoles e a crescente ameaça que representa para a África Ocidental e a região de Sael as ligações entre tráfico de drogas e terrorismo.