“A lição destes últimos 25 anos é que, se quisermos reduzir a pobreza de maneira significativa, é preciso investir nos pequenos produtores agrícolas”, disse o coordenador da equipe da ONU sobre a Segurança Alimentar, David Nabarro.
Segundo ele, cerca de 500 mil pequenas unidades de produção agrícola abastecem mais de 2 bilhões de pessoas, o que representa um terço da população mundial.
Nabarro lembrou que seu departamento coordena as diferentes organizações dedicadas à alimentação, não só para reduzir a fome no mundo, mas também para “revitalizar a agricultura dos países em desenvolvimento, especialmente a dos pequenos produtores”.
“Nos anos 70 e 80, a agricultura era uma das principais atividades dos países em desenvolvimento”, que se serviram dela para crescer economicamente e reduzir a pobreza, disse.
“O desafio está agora em conseguir que a segurança alimentar entre de novo na agenda dos países mais desenvolvidos, para que aumentem seus investimentos nesta área e desenvolvam os sistemas de produção já existentes”, explicou.
Como bons exemplos nesta matéria, Nabarro citou trabalhos realizadas em países como Ruanda, Malawi, Moçambique, Vietnã, Burkina Fasso, Índia e Tailândia.
Além disso, o representante da ONU explicou que “diversos Estados querem investir em terrenos na África onde podem cultivar os alimentos que posteriormente exportarão de volta a seus países”.
Esta atividade gera benefícios econômicos para a população africana sem explorar mais terrenos dos que já eram cultivados, ao aproveitá-los com maior eficiência.
Este foi o caso do oeste da África, onde a produção de arroz aumentou 50% em 2008 sem aumentar a superfície cultivada.