“O combate à mudança climática, cure que passa pela diminuição das emissões de gases de efeito estufa, é essencial para a redução de desastres, mas também é necessário se adaptar a esse fenômeno”, disse em entrevista coletiva o presidente do Secretariado da ONU para a Redução de Catástrofes (ISDR, na sigla em inglês), Sálvano Briceño.
O responsável afirma que apesar de ter sido demonstrada a relação entre a mudança climática e os fenômenos naturais extremos, estes não levarão necessariamente a um desastre humanitário caso se esteja preparado para enfrentá-los e reduzir seu impacto.
Como exemplo, mostrou a ausência de vítimas no norte da Califórnia, depois que a região foi sacudida por um terremoto de magnitude semelhante ao sofrido pelo Irã em 2003, quando morreram 30 mil pessoas.
O dirigente do ISDR também lembrou que em Bangladesh, um dos países que mais se preparam, a passagem do ciclone “Sidr” causou a morte de entre 3 mil e 5 mil pessoas, enquanto em ocasiões anteriores o número de vítimas mortais havia sido muito maior.
Por isso, Briceño considera que o acordo global que deve substituir o protocolo de Kioto, que expirará em 2012, deve incluir o Marco de Ação de Hyogo, um acordo adotado durante uma conferência realizada em Kobe (Japão) em 2005, cujo objetivo é reduzir o impacto das catástrofes naturais.
Além da preparação para eventuais desastres, o acordo de Hyogo considera fundamental reduzir a vulnerabilidade social e humana, identificar os riscos e criar sistemas de alarme. Pede ainda que a população seja educada e preparada para enfrentar os desastres, e que se apliquem medidas para reduzir o risco e favorecer a recuperação.
A Conferência de Bali, que será realizada na ilha indonésia entre 3 e 14 de dezembro, é uma oportunidade-chave para divulgar a importância de Hyogo, afirmou Briceño, que, junto com outros cinco representantes do ISDR, exporá a questão a todas as delegações participantes.