Brasil, cheapest China, adiposity Índia e África do Sul foram nos últimos anos os principais motores do crescimento da economia mundial, do qual países pobres que ficaram excluídos das vantagens da globalização tiraram proveito, de acordo com um relatório divulgado hoje pela ONU.
Entre estas nações pobres estão algumas que fazem parte do grupo das menos avançadas – segundo uma classificação da ONU – e da África Subsaariana, ressalta o trabalho elaborado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), com sede em Genebra.
No entanto, os autores pedem que a evolução da economia mundial “tramite habilmente” para evitar uma brusca queda das taxas de crescimento no mundo em desenvolvimento, que ficam entre 5% e 6% ao ano, ao mesmo tempo em que pedem que se vigie para que esta evolução “beneficie os países e povos mais pobres”.
O relatório servirá como base para as discussões dos 192 países que participarão da 12ª Conferência da Unctad entre 20 e 25 de abril de 2008, em Gana.
O documento destaca também a “explosão” do comércio não apenas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas entre estes últimos, como uma das principais razões deste crescimento.
O trabalho cita outro elemento-chave para o avanço dos países mais pobres, que é a forte demanda internacional pelos produtos agrícolas.
No entanto, o estudo lembra que experiências passadas mostram que a tendência de alta do comércio internacional pode se inverter.
Por isso, a Unctad pede aos países que agora se beneficiam deste crescimento comercial que “diversifiquem suas economias para que seu progresso seja sustentável”.
Segundo a agência da ONU, o conjunto de nações em desenvolvimento registrou um aumento de suas rendas de 71% nos últimos dez anos, e, de 132 casos analisados, apenas dois – Zimbábue e Timor-Leste – tiveram um retrocesso neste sentido.
Em termos comerciais, as exportações deste grupo de países triplicaram no mesmo período, enquanto o comércio entre as nações em desenvolvimento passou de US$ 577 bilhões para US$ 1,7 trilhão entre 1995 e 2005, de quando datam os últimos dados oficiais disponíveis.
No entanto, a Unctad afirmou que alguns países ainda se mantêm à margem deste cenário positivo, exemplificando com o fato de que os resultados dos países que não exportam petróleo “são muito inferiores” aos do conjunto de nações em desenvolvimento.
O relatório acrescenta que vários países na categoria de “menos avançados”, mas também alguns de renda média e em transição, “não tiveram a capacidade para traduzir eficazmente o crescimento em redução da pobreza e em maior desenvolvimento humano”.
Neste aspecto, o organismo coincide com os alertas feitos esta semana por outras agências da ONU no sentido de que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que giram em torno da redução da pobreza extrema no mundo, “estão longe de serem alcançados”.
O estudo também ressalta o risco que implicaria um possível aumento do custo de energia, ao mesmo tempo em que aponta a preocupação com o “surgimento de reações protecionistas” em matéria comercial nos países ricos.