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ONU Mulheres alerta para avanço da violência online contra jornalistas mulheres

Relatório revela que 12% das comunicadoras sofreram compartilhamento não consensual de imagens íntimas, com impactos na saúde mental e aumento de autocensura.

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 15h37

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um relatório lançado pela ONU Mulheres, em parceria com TheNerve e outras organizações, intitulado ‘Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA’, revela dados alarmantes sobre a violência digital contra mulheres defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas e outras comunicadoras públicas.

De acordo com o documento, 12% das entrevistadas relataram ter sofrido o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. Além disso, 6% das mulheres afirmaram ser vítimas de deepfakes, e quase uma em cada três recebeu investidas sexuais não solicitadas via mensagens digitais.

A violência online tem levado a impactos significativos na vida profissional e pessoal das vítimas. O relatório indica que 41% das mulheres se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relatam autocensura em seu trabalho profissional. Entre as jornalistas e trabalhadoras da mídia, 45% manifestaram autocensura nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% em comparação a 2020. Quase 22% dessas profissionais também relataram autocensura em suas atividades laborais.

Os organizadores do estudo destacam que esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, com o objetivo de silenciar mulheres na vida pública, minando sua credibilidade profissional e reputação pessoal. Há, no entanto, um aumento na busca por responsabilização: em 2025, 22% das jornalistas e trabalhadoras da mídia têm probabilidade de denunciar incidentes à polícia, dobrando o índice de 11% registrado em 2020. Da mesma forma, quase 14% estão tomando medidas legais contra os perpetradores, facilitadores ou empregadores, contra 8% em 2020.

Os efeitos na saúde mental são graves. Cerca de 24,7% das jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionada à violência online, e quase 13% relataram transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, enfatizou que a inteligência artificial está facilitando e intensificando esses abusos. ‘Isso está alimentando a erosão de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrático e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgência que essa crise exige’, afirmou.

O relatório também aponta falhas na proteção legal global. Menos de 40% dos países possuem leis em vigor para proteger mulheres contra assédio ou perseguição virtual, segundo dados do Banco Mundial. Como resultado, 1,8 bilhão de mulheres e meninas em todo o mundo, o que representa 44%, continuam sem acesso à proteção legal contra essa forma de violência.

Com informações da Agência Brasil

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