A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) estimulou hoje os países em desenvolvimento a aproveitarem a crise econômica mundial para concentrarem os esforços em direção ao crescimento “limpo”, o que seria possível com estímulos “adequados”.
No relatório “Comércio e Meio Ambiente 2009-2010”, a Unctad considera que as preocupações com a mudança climática e os preços dos alimentos permitem o avanço econômico mediante a eficiência energética, a agricultura sustentável e o abastecimento de energia renovável não conectada à rede elétrica.
Segundo o secretário da Unctad, Ulrich Hoffmann, as melhorias podem ser traduzidas na geração de “lucros rápidos”, além de fomentar a criação de emprego.
Para isso, é preciso que os Governos eliminem os obstáculos de mercado e as atuações que repelem os fluxos de capitais para esses setores.
Por exemplo, nos prédios – que consomem até 40% da energia, detalha Hoffmann -, podem ser utilizadas tecnologias de redução de consumo, além do que as construções verdes não são tão mais caras.
No campo da agricultura, a Unctad quer que os Governos adotem medidas sustentáveis como o cultivo orgânico e a gestão integrada de pragas, o que reduz o uso de defensivos agrícolas.
Na África oriental, o cultivo de orgânicos tem maior rentabilidade que as culturas convencionais, aponta o relatório.
Com relação às energias renováveis não interligadas à eletricidade, a Unctad destaca os painéis solares, os moinhos de vento e os geradores de biogás que fornecem a energia suficiente para lares e comunidades, assim como para melhorar a produção agrícola e a saúde, e reduzir a poluição do ar.